Júlio C. Monteiro – 40 anos de vivência artística
Por Miquéias Madalena / Junho de 2010
Como todo grande artista, Júlio Monteiro é um ser inquieto. E essa sua inquietação é a origem de sua arte. São aquarelas, esboços, desenhos, guaches, óleos, conseqüências de uma inquietude, que reflete em seu trabalho a beleza da natureza ou as intervenções humanas no meio-ambiente.
Júlio Monteiro comemora em 2010 seus 40 anos de carreira. Araguarino de nascimento, corpo e alma, mudou-se ainda jovem para Anápolis (GO), onde começou a trilhar seu caminho pelas artes. Entretanto, grande parte do seu trabalho foi desenvolvida na sua terra natal, Araguari (MG). Foi ali que ele cresceu como artista, docente, agente social transformador e fonte de inspiração para milhares de pessoas, alunos ou admiradores de sua arte.
As primeiras pinceladas foram dadas sob a orientação do ilustre mestre Oswaldo Verano, na Escola Municipal de Artes de Anápolis, nos idos do ano de 1970. O professor não lhe ensinou apenas a técnica, mas também a sentir antes de retratar. Talvez seja por isso que nos trabalhos de Júlio Monteiro seja tão perceptível, quase palpável, o amor, o belo, o bucólico, a natureza. Em 2008, Chico Lúcio escreveu “as telas aquareladas de Júlio Monteiro cheiram-me a terra bruta, tem gosto de manga, vento calmo que dobra as folhas num bailar inusitado, tem pingos de chuva nos galhos das árvores e a luz do sol que ilumina o vai-e-vem dos pincéis”.
A influência de Osvaldo Verano também se reflete na predileção do artista em pintar a natureza. Pois segundo o mestre “todo aprendiz de arte tem que aprender a pintar do natural. É na natureza que encontramos os melhores exercícios e exemplos. Ela nos questiona nas linhas, nas formas, no volume e nas nuances das cores.” E o mais interessante é que todo este questionamento da natureza é repassado para a obra de Júlio Monteiro, que quase sempre nos leva a refletir sobre nossa própria consciência ecológica.
Assim como aprendeu a pintar ao ar livre, ele ensina os seus alunos a extrair o que há de melhor das paisagens urbanas ou do cerrado, tão ricamente retratados em seus quadros. Parte desses 40 anos de vivência artística Júlio Monteiro dedicou à docência ou, tentando expressar de um modo que mais se aproxima da realidade: à orientação artística. Como um bom mestre, ele guia seus alunos pelo fascinante mundo das cores, formas, linhas, luzes e sombras. Fugindo do óbvio, desenvolveu inúmeros projetos de educação artística, cultural e ambiental, levando seus alunos para produzirem e exporem nas praças, nos largos das Igrejas. Tornando a arte acessível para todos.
Da primeira exposição, em 1970 numa mostra coletiva da Escola de Artes de Anápolis, até a última, realizada este ano em Araguari, o trabalho de Júlio Monteiro foi se aperfeiçoando e rompendo fronteiras no Brasil e atravessou o Atlântico, rumo à Europa. O Velho Mundo emprestou a ele suas paisagens e seus monumentos, que ganharam releituras em aquarelas e desenhos, a lápis ou no carvão. Não interessando o modo, o certo é que a Itália ou França ficaram mais belas em seus traçados, nos revelando que a beleza pode ser ainda mais extasiante.
Pode-se dizer que Júlio Monteiro é um excelente pintor, pois seus quadros são provas. Pode-se dizer que ele é um cidadão engajado, pois os arquivos registram todas as suas lutas em prol da arte, da natureza e do desenvolvimento humano. Pode-se dizer que ele é um mestre, pois muitos de seus alunos têm o prazer de testemunhar a influência dele em suas vidas. Entretanto, o que se pode afirmar categoricamente é que ele é um visionário, no sentido amplo e irrestrito da palavra. Nestes 40 anos de carreira, Júlio Monteiro provou ter rara habilidade de aliar o seu talento a um trabalho primoroso. Já nos anos de 1970 tinha uma consciência ambiental desenvolvida. Sua vida profissional não se limitou ao marasmo e a mesmice, ao contrário foi pautada de projetos idealistas e de idéias céleres e célebres. Ele é utopista, devaneador, sonhador.
Toda uma vida dedicada ao nobre ofício da arte é agora condensada em uma bela exposição, que chega no mês julho a Uberlândia (MG). A mostra reunirá alguns de seus trabalhos mais relevantes, além de um catálogo fotográfico com suas telas e sua biografia. Visitar uma exposição de Júlio Monteiro é uma verdadeira experiência sensorial, onde todos os seus sentidos são levados a despertar para uma natureza mais bela, uma tela que parece cheirar a fruta, uma paisagem que lembra a fazenda das férias de infância, um tom verde macio como a grama, um amarelo molhado como o orvalho, uma luz ofuscante como o sol, uma ponte francesa com um barco no canal que te dá uma vontade de amar um pouco mais, aquarelas que alegram a alma, que fazem os olhos brilharem e a boca se abrir em um sorriso, típico de quem é impressionado pelo talento.
A exposição acontecerá na Galeria de Arte do Espaço Cultural do Mercado Municipal de Uberlândia, à Rua Olegário Maciel, 255, Centro, entre os dias 9 e 30 de julho (de 2ª-feira a 6ª-feira), das 12h às 18h. No dia 09 de julho, às 20h, acontecerá a cerimônia de abertura com presença do artista.
Visitação: até 30/07, 2ª a 6ª, das 12h00 às 18h00
Local: Galeria de Arte do Mercado Municipal
Rua Olegário Maciel, 255
Fone: (34) 3235-7790 / (34) 3241-4393
Visite também: www.juliocmonteiro.com.br
Fotos Alessandro Gomes.
Galeria Virtual - Este espaço visa atender a artistas plásticos, gráficos ou fotógrafos, que buscam novas possibilidades para divulgar seus trabalhos. Se você quiser participar faça contato: pagcultural@gmail.com.
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Vocês estão de parabéns pela iniciativa cultural.
Vocês tem uma visão especial… certamente o sucesso é promissor desta página.
Um abraço,
Ramira Machado
Falar de Julio Monteiro, de seu trabalho, de sua arte é muito gratificante.Parabéns pelo trabalho que voces estão mostrando ao divulgar um Mestre das Artes como ele.
E parabéns sempre júlio por tudo que voce faz na sua vida, desde ensinar a arte e também vive-la.
Gizele Naves.
Obrigado a todos pelo carinho.