vasas.cidades.dos Alpes ao Ilha de Capri
Por Lucimar Bello: De 2002 a 2004, faço diariamente, fotos de um edifício em construção – o Ilha de Capri, vizinho ao meu, o Alpes, no Bairro das Perdizes em São Paulo. As 800 fotos são chamadas de fotos-pictóricas, fotos-desenhantes, fotos-escultóricas, pois as tratei como resíduos de um edifício, criando uma membrana entre pinturas e desenhos e esculturas. Destas imagens realizo, entre 2005 e 2008, uma trilogia de vídeos – vasas.cidades.dos Alpes ao Ilha de Capri, menos um, menos dois, menos três; quinze postais; trinta e um verbetes; vinte e um cartemas. Cartemas são colagens com postais iguais e/ou semelhantes que, agora em 2009, são impressos em seda e recebem estruturas sintéticas, transformando-se em Edifícios de Vestir. Quase-capas a serem usadas pelas pessoas que estejam vendo a projeção dos vídeos. Quase-capas a serem trocadas de corpo a corpo. Frontões de edifícios transformam-se em telões de cidade que “vasa” (palavra que quer dizer, lama fina e inconsistente, indo além de vazar). vasas.cidades continuam vazando cidades: a trilogia foi projetada na 8º Salão Bienal do Mar, em Vitória no Espírito Santo; no Bar Balcão em São Paulo; na XV Bienal Internacional de Vila Nova de Cerveira, na LX Factory, em Lisboa, Portugal; na 5ª Óptica Festival Internacional de Vídeoarte, em Madri e Gizón, na Espanha; Praça Rui Barbosa, em Uberlândia, Minas Gerais…
Edifícios de Vestir são metacorpus,
corpos-edifícios-resíduos de construções,
expansões de corpos trocantes,
corpos nascentes,
cidades ressonantes em corpos,
contaminações de construções.
Quase-nadas de um edifício que,
quando pronto nada mostra destas 800 fotos.
Quase “ossos porosos de uma construção”.
Assim que o Ilha de Capri acabou de ser construído,
nenhuma foto a mais foi feita…
Lucimar Bello.outubro.2009
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