A alegria no ambiente da maturidade
Uma amiga muito querida pediu para escrever sobre longevidade. Para traduzir a perspectiva que ela carrega sobre o termo, seria melhor que os leitores a conhecessem. Ela é sinônimo de disposição, amor à vida e alegria no que chama de “Darf”, sigla para “Diversão, arte e flerte”.
Teoricamente, embora a realidade não reconheça, essa amiga está na chamada meia idade. Mas, é a pessoa mais jovial que conheço. Passa por grandes atribulações profissionais (seu posto de trabalho é na saúde pública, o que acarreta sempre em problemas, sobretudo em se tratando de saúde mental), auxilia os cuidadores de idosos na lida com a mãe acamada, quando ela própria não os substitui, e ainda encontra tempo para boemia e para acompanhar de perto boa parte das manifestações culturais da cidade.
Como se não bastasse a extensa agenda profissional, familiar e social, é ombro amigo da maioria dos músicos locais, quando eles entram em crise existencial e/ou artística. Há sempre a palavra de incentivo e a presença nos shows, de preferência arrastando alguns amigos, para prestigiar e ajudar o artista a driblar as intempéries do momento.
Mesmo sendo suporte emocional de muitos, ela também tem seus momentos de fragilidade e, como era de se esperar no âmbito das relações humanas nem sempre medidas em proporcionalidade de afeto, são poucos os ombros e ouvidos disponíveis. Me sinto feliz em poder ser um deles.
Mas, estes momentos são raros. Ela é quase sempre alegria e disponibilidade. E lição de vida para quem observá-la no exercício da paciência e no discernimento entre as pessoas de boa índole e honestidade de comportamento em oposição a pequenas vaidades e pequenos poderes que deterioram os bons relacionamentos.
Uma mulher sábia no alto de sua maturidade. Uma mulher carinhosa na intensidade do seu afeto. Uma pessoa com jovialidade rara em pessoas próximas das seis décadas. Conteúdos humanos que se manifestam em forma de beleza na qualidade da pele e na energia do olhar.
Não posso tomar a liberdade de identificar aos leitores essa nobre personalidade. Mas, seguramente, os que a conhecem já perceberam de quem se trata. Ela, muito provavelmente, levará décadas para chegar oficialmente ao termo da “velhice” e ceder a algum desânimo que isso possa acarretar. Manter sua identidade sob sigilo não compromete o teor deste texto, que é a intenção de mostrar alguém que ilustre o melhor que possamos ser na evolução do tempo. E que justifique se porventura tivermos o merecimento da longevidade.
Carlos Guimarães Coelho - Jornalista e produtor cultural. É autor de duas obras: “Crônicas do Interior - Retratos de Minas” e “Nau à Deriva - A História do Teatro em Uberlândia (1908-2012)”, esta última ainda no prelo.
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O Página Cultural toma a liberdade de identificar a nobre pessoa que inspirou o texto acima: Dra. Salma Abdulmassih. Ficam registrados nosso carinho e nossa admiração.
Ola Carlinhos, claro que reconheci nas primeiras linhas.
Deixo tambem registrado meu carinho e admiração por vc Salma e por vc Carlinhos, grande em tudo que faz e que exala cultura,o que nós, leitores, agradecemos.
Abraço carinhoso.
Não há nada mais gostoso do que um abraço dessa pessoa,
que com sua voz meiga derrete nossos corações!!
Ler sobre pessoas reais sempre é mais prazeroso!
Gracias!
Ximbica