A Pena

Houve um tempo em que todos nós éramos poetas… Poetas de um único amor. Escritores que rascunhavam cartas e mais cartas para um único leitor.
Hoje as coisas são diferentes. Já não escrevemos mais e infelizmente nos emocionamos com tão pouco.
Sempre postei textos de minha autoria nesse blog, no entanto, hoje encontrei um escritor que me fez pensar em como a vida foi melhor e como o amor era valorizado como devia ser: Meu avô!
Aqui, faço questão de manter as mesmas letras e palavras, as mesmas frases, os mesmos erros, a fim de transmitir a mesma emoção:

“Fazenda da Serra, 19 de Março de 1947

Exma. Srta.

Nilda Maria Ferreira; é com grande que sirvo-mi da pena para solicitar-vos sua saude, e de seus amabilicimos, pais
Se estas singelas lêtras assim vos encontrarde, estão replexos meus sinseros votos; que estes são os que maes a miúdo ofereço a Deus a cada momento. Eu neste período; goso de saude: mas… Só um horror para mim ao mesmo tempo; Se não puder consegir o que em dias atiou meu coração; é o seu amor sabes? Se os seus; de sua abençãm, ter-me um dia, nesta colocação; serei feliz junto a sua imagem veneradora, sabes?
Tenho coração partido, até receber o seu sim; e a aceitação, ou concentimento de quem possa dar… é seus pais. Ouvio?
Termino esta, com saudade, e veneravel anseio. Sou de Vsª Amº Atº.

Jorge Vieira de Queiroz.

Artur Queiroz - "Quem sou? Dizem que sou quieto, calado! Dizem que sou muito certinho, letrado! Dizem que sou esperto, velhaco! Dizem que sou espontâneo, engraçado!" www.arturqueiroz.blogspot.com

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