Alvos de sempre
Por Alessandra Leles Rocha
Não basta o mundo arder em problemas graves, a Natureza explodir sua fúria! Não, não basta! A delicada grandeza laboriosa da mulher está exposta as baixas cruéis da violência.
Centenas de milhares de mulheres, todos os dias, em cada parte do globo, são agredidas, mortas ou mutiladas sem nenhum motivo, pois para qualquer tipo de violência não há justificativa. Simplesmente estão destruindo a base, o pilar de sustentação da sociedade humana, o berço da vida.
Independente de qualquer discurso feminista, o fato é que a mulher antes mesmo de alçar voos e conquistar novos espaços pelo mundo, já sustentava sobre os ombros o peso dos papeis de esposa, mãe, amante, domestica, professora e sofria os abusos, os maus tratos e os escárnios da sociedade; pois, tanto os homens quanto elas, entre si, destilavam todo o infortúnio de insultos e covardias, reduzidas a mera propriedade masculina, sob o jugo dos açoites machistas.
O tempo passou e o peso sobre os frágeis ombros só fez crescer. Se por um lado elas se descobriram fantásticas e sublimes na arte de “equilibrar pratos”; por outro, a vida lhes impôs o ônus do risco da exposição. A implacável crueza humana as aponta como alvo do terror e da morte. Se crianças, elas estão à mercê da pedofilia, da prostituição infantil, dos matadores em série. Se adolescentes sofrem diferentes tipos de abuso, ficam expostas aos riscos das drogas – seja pelo uso ou pelo trafico -, são alvo preferencial de assaltantes e estupradores. Se adultas padecem a violência domestica, o assedio moral – e até sexual – no ambiente de trabalho, a violência no transito, a ação de criminosos de diferentes tipos. Sempre acreditando que elas “são alvos fáceis e indefesos”.
A mídia exibe diariamente o que as estatísticas só fazem crescer: mulheres de todas as etnias, credos, idades, biótipos estão sendo barbaramente aniquiladas. Dessa forma famílias estão sendo destruídas, crianças ficando órfãs, , os índices de HIV positivo entre as mulheres disparando, cidadãs tornando-se deficientes físicas, enfim… Nem mesmo a Lei Maria da Penha1 parece coibir tantos desmandos por aqui.
Tanta luta, tantos desafios e ainda saber que é preciso bradar pelo essencial: o direito de viver em segurança. Apesar de maioria no mundo, as mulheres continuam silenciadas pela opressão, pelo medo, pela violência que vem de todos os lugares e formas. Pior do que ter um salário menor que dos homens no exercício da mesma função, é saber que as mulheres trabalhadoras estão morrendo e essas perdas, embora ainda não percebidas, muito em breve farão falta no contexto do desenvolvimento social. Elas estão se perdendo no espaço, eternizando seus rostos e seus sorrisos nas lembranças do tempo, enquanto nos contentamos apenas em chorar e orar sob a luz de velas; fica no ar uma sensação estranha como se nossa compreensão sobre a vida distasse delas, quando na verdade são elas, as mulheres, a própria vida.
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
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