Amô (Parte II)
E discabriado da vida
Jogo a viola nas costa
Carço minha butina
Arregaço as manga
Aceito minha sina.
Comigo num levo muita coisa
Além da butina e da viola
Umas muda de rôpa
Minhas meia furada
Meu chapéu e minha escova.
Vou caminhá inté enchê meus pé de bôia.
Que rumo eu vô tomá?
Sei lá!
Vou cum Deus e Nossinhora a me guiá.
Quano o sór tá muito quente
Logo logo percuro uma sombra
Chego a viola no peito
E nela me perco
Me esqueço
E quando alembro da vida
Os dediá fica inda mais bunito
Cada nota é um suspiro
Cada suspiro uma lembrança
Cada lembrança uma dô
Mas as dô vai aliviando
Enquanto a viola vai tocando
E quando falo que não quero mais amá
Meu coração bate inda mais forte
Tão forte que inté parece que vai estorá!
Mas tá dicidido.
Num quero sabê de amô.
E é de jeito de manêra!
Vô me escondê desse porquêra.
Acabô.
Joguei dinovo a viola nas costa
Ajuntei minhas trôxa e ó!
Carquei o pé no mato.
Argum tempo adispois
Passando por um buteco
Eu vi ela tra veiz.
Um anjo fazendo compra? -Priguntei.
Cocei os zói pra móde confirmá.
Linda!
Era ela mesmo.
Em carne, osso e furmusura.
Cas perna bamba e os zói brioso
Cheguei um cadim mais perto
Enchi o peito e disse:
-Oi!?
Ela também com os zói briando
Olhou preu assim como eu olhei prela
Ca voz mansa e tremida me disse:
-Oi!
Por um segundo ali nóis fiquemo
Fiquemo e os oiá num disfacemo.
Num dissemo mais nada
E nem era perciso
O silêncio falou por nóis.
Adispois daquele dia
Só tenho ela na lembrança
O que vai ser daqui pra frente
Eu num quero nem pensá.
É mió deixá acontecer
Vê no que vai dá.
Devagarinho nóis se acerta
Se for pra ser, será!
É… O amô me achou dinovo
Sujeito matuto, porquêra.
Bem que eu corri, me escondi
Foi só me discuidá que ó…
Ôtra veiz eu tô aqui!
Artur Queiroz - "Quem sou? Dizem que sou quieto, calado! Dizem que sou muito certinho, letrado! Dizem que sou esperto, velhaco! Dizem que sou espontâneo, engraçado!" www.arturqueiroz.blogspot.com



























Adoro esse jeito engraçado como você trata o Amor, e jeito que você descreve esse minerinho caipira! Mais nada como jogar a viola nas costas e seguir em frente e esperar o Amô (parte III) !!!
Muito criativo, espontâneo e verdadeiro!
O Arthur é um grande poeta!
parabéns! Falaste só a verdade sobre o “amô” meu caro…
Abraço!