Ao amigo Ita

É janeiro. A chuva cai e aumenta ainda mais a minha agonia de saber que nada posso fazer por ti.
Todas as vezes que vou ao hospital procuro aquele sorriso lindo, a vivacidade das sardas, os assuntos bem colocados, mas o que encontro em seu olhar são a tristeza e o sofrimento de estar há trinta dias numa cama e num lugar que não são seus.
Levanta meu amigo Ita!
Volta a sorrir sem dor, a passar em casa para tomar aquele cafezinho da tarde e comermos pamonha da esquina.
Quando te vejo assim tão frágil, penso na minha incapacidade de nada poder fazer. E me ponho a fazer e pedir preces.
Levanta amigo. É cedo demais para desistir, temos tanto que caminhar, tanto para viver.
Você é meu amigo irmão, um pedaço importante da minha história e só podemos partir daqui bem velhos e ranzinzas, lembra?
A chuva cessou e espero que com ela sua agonia também. Amanhã é um outro dia, uma nova esperança.
Tenho fé que logo, logo você saia daí e volte a ser meu querido, pra gente poder se acabar de cantar músicas bregas e rir de tudo e de nada, apenas pelo simples prazer de viver.

Luciana Barbosa

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