Coerência, minha gente!

pensadorPor Alessandra Leles Rocha

Não sei se satisfez ao gosto popular a lista dos convocados para a Copa do Mundo de Futebol, este ano na África do Sul; mas, em minha opinião o que valeu mesmo foi a coletiva de imprensa com o técnico Dunga1 para comentar sua decisão. O eixo central da conversa se manteve pautado na coerência e por essa razão considerei tão importante.
Coerência. Como anda esquecido esse tão importante princípio! Vivemos num mundo que perdera sua lógica, sua ética, seus pudores e entregue a velocidade fugaz dos acontecimentos no comando de tantos deslizes e inconsequências. Então, quando o esporte, especialmente o futebol tão popular no Brasil, se levanta para enaltecê-la um choque de realidade parece nos tomar de assalto para a reflexão. Eles, os desportistas, que vivem tão de perto a coerência dentro das regras do jogo, sabem muito bem que a sua ausência implicaria na impossibilidade de conquistas reais, verdadeiras.
Mas, e nós, os pobres mortais? Creio que também sabemos da sua relevância; só que optamos muitas vezes em lançá-la sob o tapete do esquecimento e agirmos segundo critérios confusos e perigosos. Talvez, a coerência nos assuste porque implica diretamente com nossa responsabilidade. Temos que ser coerentes com nossas escolhas pessoais, profissionais, cidadãs e para alcançar esse equilíbrio temos que estar sóbrios, lúcidos, atentos, com milhões de olhos e sensores a registrar o mundo dentro e fora de nossa casca; afinal, ser coerente implica em ações e reações. Coerência não é sinônimo de verdade ou mentira, de certo ou errado, é apenas a bússola individual a iluminar como candeeiro os nossos passos sobre a Terra.
Muita bola vai rolar e não sabemos se a taça virá para mãos brasileiras; mas, de antemão o cidadão Dunga nos presenteou com esse resgate de valores tão importante. Não podemos viver ao calor das emoções, o balanço das folhas, as mudanças de humor ou quaisquer outras frivolidades que venham nos arrebatar a alma. Coerência, minha gente! Coerência! Tratar os pensamentos e as ideias com mais respeito, dando-lhes inicio, meio e fim, estabelecendo conexões lógicas e pertinentes. Coerência para se distanciar do primitivismo humano e fazer valer a racionalidade e a opinião. Coerência para não ser uma sociedade subjugada, inebriada com migalhas de pão e circo. Dunga, com certeza, escolheu o caminho mais difícil – ser coerente – ao invés de se render aos apelos e ser popular; mas, foi nesse instante que ele revelou a grandeza do seu valor e deu ao país uma grande lição. Bem mais do que arroubos de ufanismo e diversão contagiante, agora sim, sabemos dimensionar a importância da filosofia do futebol brasileiro!

Imagem: http://3.bp.blogspot.com/_MY8pfOrW4UQ/Sbbt77p_d1I/AAAAAAAAACM/yXAcH_0NeU4/s400/pensador.bmp
1 Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga (Ijuí, 31 de outubro de 1963), é um treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como volante. Atualmente, dirige a Seleção Brasileira. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dunga)

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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