Dez em todos os sentidos
Por Alessandra Leles Rocha
Não era em meio à desordem, à desorientação e ao desolamento que esperávamos a chegada de dois mil e dez. Dez! Sim! Com nota máxima e louvor ansiamos a passagem deste ano, para que a primeira década do ano dois mil se faça de fato lembrada por momentos e acontecimentos plenos de alegria e satisfação.
Quis a natureza que seu inicio não fosse dos melhores. Chuvas em demasia apagaram o brilho da festa e marcaram com dor diversas cidades e famílias brasileiras. Lições daquelas difíceis, mas se estivéssemos atentos, e levado em conta no momento certo, o que dizia o caminho a seguir, tudo poderia ter sido diferente. Somos humanos e não são raras às vezes em que ousamos, ousamos ser e fazer como se a imortalidade e o supremo poder nos pertencessem. Somos mimados! Crianças birrentas e inconsequentes, acima do Bem e do Mal, que querem satisfeitos seus desejos rapidamente, mesmo sabendo que o brinquedo não é seguro, que o risco é maior que o prazer, que “nem sempre querer é poder”!
Levamos um “caldo” da vida para chacoalhar as emoções mais profundas e ponderar exaustiva e reflexivamente se podemos ter um ano nota dez, quando nossa avaliação pessoal mal alcança média seis. É hora de equilibrar essas contas, de viver um dia após o outro com parcimônia, de ser bom aluno na escola da vida para que a responsabilidade sobre as irresponsabilidades não nos atormente a consciência.
Então, submergimos às primeiras ondas de dois mil e dez e recobramos os sentidos ainda atordoados; mas, prontos para querer e lutar pelo restante dos dias como havíamos sonhado. Mais do que nunca, pela memória dos que se foram, pela convicção estampada no rosto da dimensão de nossas limitações e equívocos, temos que sair em busca de um ano verdadeiramente dez. Talvez, os planos iniciais estivessem muito distantes do exequível; o novo estava previsto muito mais para o externo do que o interno de nossas almas, aquele chamado verniz que engana, mas não esconde as imperfeições.
Depois da tempestade o céu sempre acena com um arco-íris, as sete cores da esperança a nos guiar pelo caminho e nos encorajar para a concretização de tempos novos e inovadores em dois mil e DEZ.
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
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