Dois salões e um poema em prosa!

Alguém penetrou, certa vez, no salão da felicidade e pode ver como viviam as pessoas ali: dançavam, sorriam e brincavam. Todos aproveitavam ao máximo aqueles momentos. Aquele salão era iluminado por esplêndidos raios de Sol e também pelo belo azul do Céu.
Mas nem tudo era felicidade naquele salão. Ao ser levado à presença da própria felicidade, Alguém pode ver que ela parecia triste. Então, ele lhe indagou sobre a razão de tamanha tristeza, se ela era a felicidade. Ela respondeu: “Não sou feliz, pois muitos dos que poderiam estar comigo, estão no salão ao lado”.
Ocorreu que Alguém também se dirigiu ao salão que ficava ao lado. Lá ele pode ver que não havia música, dança ou brincadeira. Só havia lágrimas e gemidos. Era o salão da tristeza. Mas havia felicidade ali. A tristeza sorria! Alguém então lhe indagou sobre a razão da felicidade que sentia.
A tristeza respondeu: “Veja como está repleto o meu salão. Como você queria que eu me sentisse, vendo tantas pessoas tristes?”

Paulo Irineu Barreto - Doutorando em Geografia Humana e Cultural no Instituto de Geografia e Mestre em Filosofia - Política e Social, ambos na UFU. É autor de “Ensaio Sobre The Dark Side of the Moon e a Filosofia: uma interpretação filosófica da obra-prima do Pink Floyd”.

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6 Comentários

  1. Paulo, que texto belo e singelo! Achei bem interessantes o jogo de antagonismos que você fez, a felicidade triste e a tristeza feliz…

  2. Oi Ana Clara! Obrigado pelo comentário elogioso!
    Abraços!

  3. PAULO, TUDO BEM?
    BELÍSSIMO TEXTO E REFLETE O MOMENTO ATUAL DO MUNDO EM QUE VIVEMOS, POIS EXISTEM, E COMO TEM PESSOAS, QUE ENCONTRAM A FELICIDADE NAS TRISTEZAS E DESGRAÇAS DE OUTRAS.
    ABRAÇOS
    EDNALDO (Didi)

  4. Oi Didi! Obrigado pelo feedback!
    Abraços!

  5. Paulinho, eu de novo bedelhando em seus textos – rs…

    Sempre me intrigou a questão dos universais – não o universal em si, mas a própria questão – uma vez acreditar que a mesma já tivesse sido resolvida lá atrás por Abelardo, na contenda entre Roscelino e Champeux – ou ainda, no máximo, que tivéssemos compreendido como Leibniz os compreendeu….
    Mas nota-se que na atualidade a fuga ou a busca por determinado universal se faz premente em nosso meio – tal o é a “tristeza” ou a “felicidade” – o que não posso deixar de considerar, por ceticismo ou consciência, um completo absurdo. É passivo afirmar categoricamente: não existe a tristeza absoluta, assim como não existe a tal felicidade idealizada ou, se existem, traduzem-se como patologias, qual a depressão para a tristeza, qual a euforia mórbida para a felicidade.
    A lingua portuguesa nos é mais rica em signos, significantes e significados que seus congeneres francês e inglês. Por isso, ela talvez nos ajude a compreender melhor o porquê dessa sociedade estar à mercê dessa cisma contemporânea. Basta observar que enquanto possuímos variações entre “ser” feliz e “estar” feliz, as outras duas, responsáveis pela maioria das traduções literárias, filosóficas e científicas – e consequente difusão – têm de se contentar com seus “Je suis” e “I am”, tão limitados pela própria ambiguidade, tão controvertidos pela dual essência.

  6. Caro amigo Lobo
    Gostei demais da sua contribuição, por vários motivos. O primeiro: me remeteu aos anos de graduação e às longas discussões sobre os Universais: “Alguém já viu a “tristeza”, a “humanidade” ou o “Amor” sentados em um bar, tomando um “drink”? O segundo: me fez lembrar que a poesia, às vezes, com direito ou não, não dá a mínima consideração ao sofrimento dos filósofos e, finalmente, me fez lembrar da riqueza de nossa língua, que permite à minha pessoa, cuja formação é filosófica, vez ou outra, “estar” poeta!
    No mais, precisamos nos encontrar, para “bater um papo”.
    Grande abraço‼!

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