Dos impropérios Masculinos
João vivia sendo acusado por suas ex de que não se comprometia com nada, nem com ninguém que não fosse futebol, cerveja e amigos e resolveu um belo dia, mais por teimosia do que por convicção, que a próxima mulher por quem se interessasse iria se dedicar de corpo e alma, só para mostrar que era capaz de amar por inteiro outro alguém que não fosse ele.
Não demorou muito cruzou seu caminho com Maria Clara, mulher de traços delicados e personalidade forte como qualquer taurina que se preze. Foi tiro e queda. Apaixonou-se logo pela bela morena e colocou seu plano de extrema dedicação em ação.
Era um tal de buscar no trabalho, mandar flores, levar para jantar, mas tudo na medida certa para não enjoar, porque sabia que o limite entre o pegajoso e o amoroso para as mulheres era ínfimo.
Estava super dedicado e pela primeira vez curtindo um relacionamento onde não só ele era o centro das atenções. Começou mesmo a pensar que os dois eram almas gêmeas e que a ligação que os unia era imensa, aliás, colocou na cabeça que eram um só.
Foi aí que a bagaça desandou. Um dia, os dois caminhando no parque sentiram uma dor no calcanhar esquerdo e verbalizaram isso ao mesmo tempo, ela achou aquilo lindo, ele calou.
Num outro dia tiveram uma crise renal juntos. Um gemendo daqui o outro de lá, ela colocou a culpa na comida apimentada de sua tia, ele achou que era algo muito maior e calou mais ainda.
E foi ficando assim estranho, estranho, até ir se afastando de Maria Clara e terminar o namoro.
Ela, chorando, queria explicações já que se davam tão bem e ele, usando a frase de sempre, disse que ela merecia algo melhor e partiu.
Saiu fora do prédio de Maria Clara, acendeu um cigarro e deu uma tragada de alívio. Ele amava realmente a pequena, estava curtindo aquela vidinha a dois, mas o lance de sentir as mesmas coisas? Estava fora. Nem as conversas com amigos o convenceram de que aquilo não era uma ligação sobrenatural e sim uma mera coincidência.
Pra ele os dois eram um só. E só de lembrar das dores renais passadas juntas, sabia que não estaria preparado nunca na vida, por exemplo, para uma dor de parto, para as cólicas mensais e por aí adiante.
Melhor assim. Sabia que a partir daquele momento suas ligações amorosas seriam superficiais, para não correr nenhum risco.
Luciana Barbosa
Luciana Barbosa - "Pode se dizer que de tão incompleta vive à procura de tudo e aí tem dias que acorda cheia de si mesma. Nestes dias pega a caneta e tenta decifrar o mundo." www.daluapalavra.blogspot.com
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Luciana, pode parecer exagero, mas eu me lembro de que tive alguns enjôos (que nunca tinha sentido) durante o período de gravidez de minha espôsa. Seria coincidência?
Parabéns pelo texto e grande abraço!
Paulo Irineu
Olha só querido, eu como boa romântica que sou, prefiro acreditar que vcs são um só!..rs
Obrigada por gostar do texto! Outro abraço!
Parabéns amiga… você como sempre, “detonando”. Super texto. Abraços.