Elas: as aves do Paraíso
Por Alessandra Leles Rocha
Como tantas outras datas comemorativas, em que um dia ao ano é escolhido para celebrar, oito de março 1 chega para hastear bem alto a presença da mulher. Na verdade, esses seres magníficos fazem dos trezentos e sessenta e cinco dias anuais uma dádiva da passagem humana sobre a Terra. Aos que pensam que ser mulher é ter nascido em nuvens de algodão salpicadas de flores nas cores do arco-íris, estejam certos de que a grandeza do presente cobra seus ônus em prestações diárias.
Mulheres que cada qual a sua maneira transformam a vida, os caminhos, as razões de existir. São a fragilidade oculta da força, o aço que não oxida às investidas do tempo, o diamante que não se esfacela a rudeza do cotidiano; mas, são feitas simplesmente de água e sal. Lágrimas que nutrem como rios caudalosos os seus veios de emoção: alegria, dor, saudade, felicidade,… Lavam, limpam, cicatrizam, lubrificam o corpo e a alma.
Aves raras, cuidadosas de seus ninhos. Aves que voam alto, mas não perdem de vista o seu foco. Aves que enfrentam as intempéries e se agigantam diante dos desafios. Aves que cantam o lamento ou lamentam cantando. Aves que abrem suas asas para abraçar e proteger o mundo. Elas: as aves do Paraíso! É! O Criador sabia de sua importância nesse mundo! Quão sem graça, sem brilho e sem vida seria tudo por aqui! Sobretudo, sem vida. Não falo só a respeito do dom divino de gerar outro ser; mas, da capacidade singular que só as mulheres têm em fazer fluir a energia que emana do ambiente. Elas num beijo terno diário despertam a vida que teima em se encontrar adormecida.
Em geral, no que diz respeito ao traçado original do seu ser, elas representam esse fiel da balança entre a razão e a sensibilidade. Mas bem sabemos que toda regra tem exceção e esta não poderia ser diferente. Por isso, infelizmente, há sim mulheres invertendo a natureza de seus valores, rompendo de vez os laços com o Bem, pactuando com as bizarrices de um mundo corrompido pela desordem e o caos. Dá tristeza, pesar, vê-las macular a beleza de sua própria imagem; é como se o nome não se ligasse à pessoa.
Mesmo assim, brindemos ao ontem, ao hoje e a todos os amanhãs que nos saúdam mulheres, em todas as etnias, credos, profissões e lugares do planeta. Somos sim frutos de uma decisão divina, guardiãs das mais altas missões, celebrantes da vida. Deixamos nossa marca em cada olhar, cada sorriso, cada gesto, cada palavra, de modo tão profundo e inconfundível, que mesmo quando tudo acabar, nos tornarmos apenas lembranças, haverão de saber que estivemos aqui.
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).


























