Em busca da verdadeira aliança

Por Alessandra Leles Rocha

Já dizia Mahatma Gandhi que “não há caminho para a paz. A paz é o caminho”. Contudo, a raça humana prefere insistir em viver a constante busca pela paz, a partir dos escombros das guerras e dos conflitos.

Em meio ao dualismo dessa questão, o ser humano nasce e morre sem conseguir o ponto de equilíbrio satisfatório. Movidos pelos instintos e pelas paixões do mundo ele se autojustifica para aplacar seus atos e omissões.

Sentar-se à mesa de negociações diplomáticas parece sempre à atitude mais sensata; mas, ao contrário do que se possa imaginar, a diplomacia mascara a face do mal. O chamado “denominador comum” de um problema quase sempre não o resolve e sim o posterga, como agente fermentador, para explodir em catástrofe maior.

A movimentação das peças de um jogo de xadrez necessita precisão. Ousadia e passividade determinam obter ou não o cheque-mate. Assim é na vida, é na paz e na guerra; cada um, no tocante à sua soberania e aos próprios interesses descortina os passos mais apropriados a realizar. Daí tantos acordos, protocolos, convenções e assembleias que culminam com o melancólico fim de imensos amontoados de papel sem valor efetivamente prático.

Há centenas de anos que a civilização humana, numa tentativa desesperada de não emitir uma imagem degradante ou degradada de suas intenções, apela para a sensibilidade produzida por ideias, tais como a paz, a fé, o meio ambiente, a fome e a miséria, para ofuscá-las. É controverso ao extremo uma nação discursar, por exemplo, sobre a paz e ao mesmo tempo debruçar-se sobre o desenvolvimento de armas nucleares. Afinal, esse tipo de artefato só justifica ser produzido por aqueles que têm interesse em guerrear. Assim, mais difícil do que defender a soberania e os interesses de uma nação é compatibilizar sua ideologia no contexto social e mundial; afinal, é mais fácil enxergar erros e distorções no outro do que em si mesmo.

Por isso, as adulações políticas são sempre um risco. Os mesmos que se abraçam são também aqueles que se destroem; mesmo que haja indivíduos sensatos e coerentes em uma sociedade, haverá também a turba do desequilíbrio e da discórdia, nutrida de imediatismos e ganância. As necessidades coletivas sucumbem ao individualismo; tornam-se meras fachadas para discursos superficialmente retóricos. Utiliza-se o imaginário, palatável e digerível, para sustentar o real, tosco e cruel, cujo ônus a população em sã consciência não pretende pagar.

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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