Em dependência
Por Alessandra Leles Rocha
Mais um feriado se aproxima: sete de setembro, dia da INDEPENDÊNCIA do Brasil. Independência! Legal! Mas a grande maioria da população quer mesmo é comemorar a independência do relógio, dos compromissos e aproveitar o dia vermelho no calendário para não pensar em nada.
Apesar do dia de folga ganho com esse fato histórico, creio que o desdém das pessoas para com ele não é à toa. Ora! Independência é uma questão bastante complexa para ser aplicada. Sempre que se usa o termo há de se pensar que ele não chega por inteiro, pleno, completo, com gosto e cheiro de fruto colhido no pé. Sim, nos tornamos independentes da Coroa Portuguesa1·; mas, logo em seguida, caímos nas “garras” dos ingleses, depois dos Estados Unidos com os polpudos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI),… Enfim, preços pagos ao convívio das tramas diplomáticas, dos interesses e necessidades, das relações sociais.
Falar de independência é nos colocar diante do espelho de uma miragem chamada autossuficiência. Somos dependentes do nascer ao morrer e talvez por isso, ansiamos com o mais recôndito das entranhas por essa independência, que vez por outra se traveste na liberdade. Livres, independentes, totalmente entregues à possibilidade de assumir o extremo oposto, o alicerce real de nossa existência dependente.
Em pleno século vinte e um, finalizando a primeira década do terceiro milênio e absortos no visco da dependência tecnológica – mais uma dentre tantas, a nos intimidar no desafio de dar independência a nossa própria privacidade -; então, chega a ser engraçado, parar por vinte e quatro horas em nome de uma dependência que ficou para trás; mais precisamente em 1822.
Assim, nada de “independência ou morte” 2! Afinal de contas, ambas as situações são inevitáveis, incontestáveis; uma não compensa a outra, pois não cabem na palma de nossas mãos a sua conquista. As imposições intrínsecas à vida, que nos encabrestam a estar em dependência, havemos de aprender a dançar conforme a música. Mas, no que a independência é capaz de beijar suave nossa fronte, temos que usufruir e recebê-la de bom grado como quem ganha um pote de ouro; raro, mas de suma importância para desperdícios vãos.
Imagem: ¨ http://ninguemle.org/wp-content/uploads/2009/07/correntes3a.jpg
1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_do_Brasil
2 http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_ou_Morte_(frase)
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
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