Exortação aos anti-heróis

grandeotelo

Por Alessandra Leles Rocha

Tantos problemas, tantas tragédias ao redor do mundo; mas, tudo não parece demover a índole agressiva, intolerante e desordeira de uma legião de indivíduos mergulhada na sociedade.

Passam-se os dias e a mesma mídia que se faz porta-voz dos clamores sociais pela igualdade de direitos, pela justiça, pela paz, contra a homofobia, contra a violência às mulheres; é aquela que exibe sem pudor uma enxurrada de atrocidades e grosserias, uma verdadeira apologia a todo tipo de conflitos, manifestada por pessoas em busca da fama e da notoriedade.

O Brasil parece mesmo não se importar em reproduzir uma torrente de anti-heróis, piores e mais caricatos, do que o próprio Macunaíma2. Se dentro dos muros das emissoras de televisão o vale tudo da violência é contido pelas normas e protocolos, o exemplo exibido ganha as ruas e se propaga em milhares de vítimas; já que, a justiça aqui de fora exibe uma face bastante condescendente.

Sim! Nos tempos da total contradição ética e moral, a letargia da razão inibe o raciocínio e o sentimento, e transforma a massa social em adoradores fieis do caos, aplaudindo e se arvorando em repetir os feitos e os palavrórios que só o homem primata é capaz de ostentar.

Não é à toa que tantos querem o poder, o dinheiro, o status, a publicidade. Essa é a capa protetora e redentora; o álibi perfeito para encobrir os delitos e as deformidades dessas almas sem salvação. Nem sei se de fato se preocupam em salvar sua paz de espírito; mas, viver atormentado e atormentando não é solução que justifique uma existência.

Considerando tamanhas distorções algo normal, sem relevância, é que a sociedade se encaminha ao precipício da desordem e do retrocesso. A mídia, o cérebro brilhante da sociedade de consumo, precisa rever seus conceitos e posições antes que seja tarde demais. Fomentar a discriminação e a violência entre os segmentos sociais é justificar o crescente assassinato de mulheres, o ateamento de fogo em moradores de rua e indígenas, o espancamento covarde de homossexuais, enfim… É passar recibo ao mundo de um país que desconhece o que é ser e se comportar como nação.

1 http://4.bp.blogspot.com/_Mc6hSIUqSgg/SdqYH2egKYI/AAAAAAAABDI/Ft9ZmP4hbAY/s400/macuna%C3%ADma.bmp
2 Macunaíma, obra de 1928, do escritor brasileiro Mário de Andrade, é considerado um dos grandes romances Modernistas do Brasil. A personagem-título, um herói sem nenhum caráter (anti-herói), é um índio que representa o povo brasileiro, mostrando a atração pela cidade grande de São Paulo e pela máquina. A frase característica da personagem é “Ai, que preguiça!”. Como no dialeto indígena o som “aique” significa “preguiça”, Macunaíma seria duplamente preguiçoso. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Macuna%C3%ADma http://pt.wikipedia.org/wiki/Macuna%C3%ADma)

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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