Falando de Amor
Por Alessandra Leles Rocha
Amor… Atemporal, ele sopra esse vento ora suave ora vendaval sobre nós, quando acha que é tempo de nos metamorfisar mais uma vez. Ah! Falar de amor é sempre bom; mesmo quando algumas de suas lembranças não sejam tão doces. Falar de amor só é possível a quem já provou desse néctar absoluto da vida humana; por isso, ainda que chamuscado, arranhado, sofrido, lembrar-se do amor vivido faz o sorriso pular além dos lábios. Tudo retorna em cores vivas, a pele se arrepia, as pupilas brilham em intensidade inigualável, a boca seca, o rosto cora, o coração tropeça em desalinho nas batidas. Falar de amor resgata o melhor que se esconde dentro de nós.
Isso pode acontecer sempre, diariamente, ou quando ouvimos aquela canção, ou nos deparamos com aquela fotografia, ou encontramos com certo alguém, ou simplesmente, quando os ares frios do outono/inverno nos tornam mais reflexivos e encolhidos em nosso próprio ser. A melancolia cenográfica imposta por esse período do ano, talvez nos devolva com mais facilidade a consciência de que não somos uma ilha1, que é bom, necessário, fundamental ter um par para valsar ao longo da vida. Um par que seja verdadeiramente parceiro, companheiro de lutas e glórias, amigo, amante, confidente, conselheiro, que nos aceite como somos e nos encante por ser exatamente como é. Um par que olhe em nossos olhos, bem lá no fundo, que arranque nossos melhore e maiores sorrisos e suspiros, que nos aqueça calorosamente no aconchego dos abraços, que nos tire o fôlego no beijo cinematográfico ao por do sol, que nos faça derreter com a singeleza de uma única rosa na madrugada ou na mensagem breve enviada pelo celular. Por isso, Santo Antônio nessa época vive o martírio de dar um jeito de unir tantos corações solitários por aí!
Entretanto, a blindagem gélida que nos impôs a modernidade, a pressa cotidiana, a velocidade dos deveres e obrigações, tem nos feito esconder por detrás das máquinas e desenvolver novos tipos de sentimento por nossos semelhantes; mas, nada que consiga de fato substituir o amor. Essa legião de solitários virtuais, de gente que sai à noite para encontrar companhia fugaz e acorda mais sozinho do que começou, dão impressão de terem se esquecido do elementar. Sim! É claro que há muitas pessoas também tentando fugir desse amor por várias razões, que cabem somente a elas conhecer; mas, isso não significa que esse sentimento recluso morreu ou deixou de existir. Um dia, quem sabe, quando acharem que é o momento oportuno certamente darão vazão a ele e alcançarão a plenitude de seu próprio ser. Viemos do amor e por ele caminhamos.
Pode ser que todas essas palavras pareçam melosas demais; mas, isso é o amor. Amar de verdade é ser criança, é não ter grandes pudores ou preconceitos, é libertar-se das convenções, é apenas desejar com toda a intensidade possível ser feliz. E como disse sabiamente Tom Jobim “Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho” 2. Estamos aqui de passagem nessa vida, porque um dia duas pessoas se encontraram, se amaram e traduziram esse sentimento na luz de um novo ser. Então, ame! De todas as formas, com o máximo de intensidade, com a plenitude e a paz que só esse sentimento pode lhe oferecer.
1 Ernest Hemingway baseou o seu livro de 1940, Por quem os sinos dobram, numa ideia do seu amigo e companheiro de luta, John Dos Passos, que tinha escrito em 1930 a frase ninguém é uma ilha, todo o ser humano é um Continente, pelo que não é preciso perguntar por quem os sinos dobram, porque quando dobram, dobram por ti. (http://www.aventar.eu/2010/05/04/a-figura-carismatica/)
2 http://letras.terra.com.br/tom-jobim/49074/
Foto: http://jornale.com.br/wicca/wp-content/uploads/2009/06/amorroma.JPG
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).



























