Hick Duarte faz uma leitura do Triângulo Music
Um dos maiores eventos musicais do país tomou o Triângulo Mineiro nos últimos dias. A quinta edição do Triângulo Music encontrou diversos contra-tempos no período de pré-produção, mas manteve um line-up de peso e trouxe shows memoráveis a Uberlândia. Como de costume, a primeira noite de shows mobilizou menos público, mas concentrou as apresentações mais interessantes. Marcelo D2, por exemplo, fez uma delas. Apontado por muitos como a maior atração da sexta, o rapper carioca superou quaisquer expectativas. A procura da batida perfeita, D2 e sua banda vagam pelo samba, pelo rock, black, blues e fazem de seu show uma verdadeira vitamina de ritmos. A sinergia com o público é constante e o talentoso Fernandinho BeatBox – seu atual grande parceiro em turnês – promoveu um espetáculo a parte. Todos os instrumentos se calam quando Fernandinho vai para a frente do palco e dispara a apresentar seu beatbox quase surreal. O ápice talvez tenha sido a simulação de um trecho da música Seven Nation Army, dos White Stripes. Uma apresentação fenomenal.
Mais confortável impossível, o Jota Quest apresentou uma setlist poderosa, dotada de hits consolidados nos mais de 15 anos de carreira da banda. Rogério Flausino estava radiante do início ao fim da apresentação e interagia com o público a todo momento. O vocalista cantou as últimas duas músicas do show com a bandeira de Minas Gerais em volta do corpo e arrancou demorados aplausos dos presentes.
Mas o show mais próximo do público de toda a sexta-feira foi o do Biquíni Cavadão, responsáveis pelo momento mais aguardado e mais quente da noite. Apresentando hit atrás de hit, Bruno Gouveia teve que descer do palco pra se sentir mais próximo da plateia. Mais do que satisfeitos com o que viam no palco, os presentes cantaram, se emocionaram e dançaram do início ao fim, celebrando o talento e a representatividade de uma dos grupos mais importantes da história da música brasileira.
Sábado era dia dos titãs. As expectativas pelos shows das bandas NX Zero, Detonautas e O Rappa somadas à arrasadora promoção de liquidação dos ingressos do evento movimentaram quase o dobro do público da noite anterior – na porta, a organização vendia entradas para a arquibancada a R$0,50 e duas para a pista a R$10.
O show do NX Zero, disparado o mais aguardado pela parcela teen da plateia, também correspondeu às expectativas. Sem muitas surpresas e seguindo as fórmulas que vêm se afirmado como sinônimo de sucesso nas apresentações ao vivo, a banda atingiu o ápice do show ao comover os fãs com os hits “Cedo ou Tarde” e “Razões Emoções”.
De última hora na programação (para substituir a banda Capital Inicial), vem o Detonautas e faz o show mais empolgante da noite. Nesses 12 anos de carreira, eles já passaram por altos e baixos, mas o show em Uberlândia traduziu muito bem todo o momento atual para a banda. Mais do que um vocalista, Tico Santa Cruz é um frontman performático, e conduziu a apresentação de forma explosiva e sempre interativa. O coro de “Quando o Sol se For”, talvez o maior sucesso da banda, selou o retorno da banda à Uberlândia.
Sem atrasos gigantescos e nenhum grande contra-tempo durante as duas noites de shows, a quinta edição do Triângulo Music deixa uma interrogação sobre os rumos do evento para 2010. O line-up seguirá a mesma fórmula? Um novo obstáculo como a gripe suína pode novamente complicar a história? Capital Inicial e Lulu Santos de fato se apresentarão novamente em Uberlândia? Só nos restar aguardar.
Por Hick Duarte
www.hickduarte.net
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Uma leitura muito paternalista…o repetitivo Triângulo foi um arraso sim, no pior sentido. Houveram atrasos gigantescos, a tal Paula Toler, pior impossível, que era pra começar as 20h começou quase 22h. Acredito que vão sofrer várias ações judiciais. Muita gente foi barrada de fora pq anunciaram que não havia necessidade de trocar ingressos (agosto), e havia sim, e lá, na hora, não havia ninguém de “responsa” para resolver os problemas, resultado: muita gente indignada brigando com os leões de chácara, do lado de fora, e lá ficaram. Os preços dos ingressos equiparados à banana podre na feira, quase implorando às pessoas que entrassem (pelamordedeus) naquele circo de patetas, foi mais ridículo ainda, choveu gente ruim de todos os lados, muita gente feia e vilenada tomou conta do espaço. Este Triângulo deve ser totalmente reformulado ou acabar de vez. O ano que vem os sócios Rappa, Biquini e J Quest que paguem pra vir. E das bandas do palco 2, sem comentários, mais apagadas impossível. Muito otimista sua visão hick.
O Festival Jambolada, com muito menos mídia, tem uma representatividade cultural muito maior que esse Triângulo Music onde a grande expectativa parece ser, imaginem, a Segunda Vinda de Nosso Senhor Lulu Santos e outras novidades milenares. Oremos.
Val, eu preferi não comentar os aspectos estruturais do evento e me ative a colocações sobre (alguns) shows – mencionei a questão do valor dos ingressos porque esse não havia como deixar passar. Algumas poucas apresentações me chamaram a atenção e foi por elas que resolvi escrever o texto.
Walber, pela forma como o Jambolada trata a questão das artes integradas, pela valorização da música autoral brasileira, por todos os princípios que fundamentam a forma como o evento é organizado e produzido, entendo que compará-lo com o Triângulo Music no critério representatividade cultural é um absurdo. Entendo de verdade, pode ter certeza. E a propósito, com o questionamento sobre a Segunda Vinda de Nosso Senhor Lulu Santos eu não quis levantar expectativas, mas sim incitar uma provocação à manobra logística dos shows do Triângulo. Amém.
Interessante né, mas é a Vivo que apoia o festival Jambolada em Uberlândia, que promove artistas que estão afim de inovar um mercado tipicamente capitalista saturado de hits. O valor para o público é acessível e além disto no domingo ótimos shows gratuitos na praça Sérgio Pacheco. Cultura, tanto bate até que fura, tanto bate até que cura, não é? saudoso Itamar.
Hick, vc ganhou ingresso pra falar bem? TM é o típico show MAIS DO MESMO FEITO PRA QUEM VAI DE MICARETA A SHOW DE DUPLAS SERTANEJAS
Os organizadores do evento nunca foram jovens, nem quando tinham 17 anos.
acho que o TM merece no máximo duas linhas…não, não…uma palavra: ACABOU!
Ainda bem que vc entende – acredito, de verdade, viu? – pq eu não entendo mais nada. Qual a justificativa, então, para gastar tantos recursos (públicos & privados) nesse arremedo de festival sem expressão alguma? Uma avalanche midiática (para alegria dos veículos e agências); uma trupe de garotos-propaganda padrão MTV-do-Santa-Mônica; esse povo caro e que duvido que a maioria que lá esteve ouça em casa. Qual foi o último disco de quem veio no TM que vc comprou? Eu acho que comprei um LP da Paula Toller quando eu tinha 14 anos; mas só pq ela mostrava as pernas e ainda não tinha internet. Não entendo, Hick – e aí é que vc entra – essa sua passada de mão na cabeça do TM. Principalmente depois que vc disse, enfaticamente e sem ironia, pelo que entendi, que entende a absoluta irrelevância do TM frente a outro festival de música local – que luta pra conseguir recursos e apoio todo ano, não tem a mesma exposição e, por isso, depende quase que exclusivamente de mídia alternativa para se fazer notado. Ainda assim, salvo engano, levou lá mais de 4 mil pessoas.
Ora, Hick, se vc de fato percebe o desperdício de esforços que é o Triângulo Music e ainda assim se dispõe a escrever um artigo desses, vc foi, no mínimo, complacente e, na pior das hipóteses corporativista.