Não é uma questão de cisma!

Por Alessandra Leles Rocha

Até 2004, quando o Tsunami1 assolou a Indonésia, o Sri Lanka, a Índia, a Tailândia, a Malásia, as Ilhas maldivas e Bangladesh, se fosse realizado um levantamento junto à população mundial sobre o que mais ameaçava sua segurança, certamente grande parte diria ser a violência e todas as formas de conflito armado. Mas, os tempos mudaram e isso não é mera força de expressão!

Embora aparentando ares de perplexidade e horror, o homem não pode dizer que são recentes os avisos da Natureza sobre os impactos inconsequentes das ações antrópicas em seus domínios. Como num jogo de força, a humanidade quis ver até aonde alcançava a supremacia do seu poder; mas, o placar tem apontado bastante desfavorável a ela!

Assim, a primeira década do ano dois mil marca mais uma catástrofe; depois do Haiti, o Chile2 sofre com o mais violento sismo de sua história – 8,8 graus na escala Richter – e coloca todo o Pacífico em sinal de alerta, inclusive de tsunamis. Na mesma semana que um imenso iceberg se desprendeu do continente antártico3 e foi sinalizado risco de invernos mais frios no Atlântico norte, a terra treme assustadoramente no hemisfério sul. Se há ou não correlação nos fatos não posso afirmar; entretanto, não restam dúvidas de que nossa zona de conforto há muito deixou de existir! Levada pelas águas oceânicas, ou pelas fraturas no solo, ou pelos ventos incontroláveis, a segurança se esvaiu, ou talvez, tenha se transformado no que sempre fora de verdade, uma simples sensação.

É! Estamos diante do espelho, enxergando a pequenez de nossa própria insignificância, o minúsculo tamanho da razão diante da grandeza natural. Toda a racionalidade reduzida à incapacidade de se defender dos infortúnios; venham eles de suas mãos ou de mãos maiores e superiores. Treme o chão, mas dentro de nós treme o desconhecido, o paralisante pavor que dobra nossa altivez, nosso orgulho, nosso status de superioridade. Não é uma questão de cisma! Mais do que cair ao chão, caímos na realidade de que a grande esfera não está submetida aos nossos caprichos, ou seja, nosso poder absoluto é de fato bastante relativo!


1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_do_Oceano_%C3%8Dndico_de_2004
2 http://www.atarde.com.br/mundo/noticia.jsf?id=1398797
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/02/27/numero-de-mortos-no-terremoto-do-chile-sobe-para-214-915954819.asp
3 http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,iceberg-gigante-ameaca-mudar-correntes-maritimas-do-planeta,516702,0.htm

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