O “dono da bola”

Por Alessandra Leles Rocha

Ah! Esse processo de infantilização da sociedade está criando situações cada vez mais vexatórias! Vejam se não foi atitude de criança mimada, o que aconteceu no último Grande Prêmio de Fórmula 1, na Alemanha? Fernando Alonso não conseguia ultrapassar Felipe Massa e como não podia ser contrariado nas suas vontades, a Ferrari – “dona do carrinho” – fez o que fez, ordenou ao brasileirinho que abrisse passagem.
Ora, minha gente! Até quando vamos assistir ao “dono da bola” acabar com o espetáculo por perceber-se incapaz de brigar de igual para igual, hein? O pior de tudo é que não estamos tratando de esporte amador e sim de altíssimo nível, com bilhões de dólares e euros envolvidos, com atletas adultos, com equipes de ponta. Esse comportamento ridículo fere o principio leal da competitividade, macula o conceito de capacidade profissional e joga na lama das “cartas marcadas” a alegria de milhões de torcedores mundo afora que perdem minutos preciosos do seu dia de descanso para torcer pelo seu ídolo.
Mas, nessas alturas do campeonato, será que podemos considerar verdadeiramente que há ídolos figurando no esporte? Ser ídolo, quando tudo é favorável: carro, motor, regras etc.etc.etc. é muito fácil! Quero ver competir no braço, na raça, na adversidade, pondo em xeque a própria capacidade, jogando limpo, expondo os próprios limites e fraquezas, relembrando os ídolos de outrora: AYRTON SENNA, NIGEL MANSELL, ALAN PROST, NELSON PIQUET, EMERSON FITTIPALDI. A geração mais jovem não os viu correr, mas se quiserem saber do que falo, basta buscar antigos arquivos nas emissoras de TV e descobrirão porque eles são motivo de idolatria até hoje.
Sim! Já faz tempo que o mérito vem sendo banido da sociedade, em nome do jeitinho, dos favores; mas, ainda há tempo para reverter essa lógica absurda e voltar atrás. O esporte não pode se esquecer de que é espelho para milhões de jovens, é formador de opinião na sociedade, e se percebemos que a realidade não caminha a bom termo se faz necessário tomar uma atitude rápida de recuperação. Critica-se tanto o uso de doping no esporte e o que é esse tipo de atitude senão um doping – alterar um resultado sob a escrita de uma inverdade? Isso é sério demais! Estão nivelando o esporte no nível mais baixo, ensinando que para vencer não basta dedicação, sacrifício, esforço, é preciso também contar com “cartas na manga”; e dessa forma, OS BONS de fato nem são BONS.
Diante de tudo isso, vamos ficando descrentes, nos sentindo trapaceados, bobos, inocentes bonecos que pagam caro para assistir encenações. O esporte não merece esse fim melancólico! Há de existir alguém para reacender os ideais do esporte, a disputa franca e paritária, o sucesso pelo trabalho, a se constranger verdadeiramente diante de uma falácia.

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

Compartilhe:




Gostou? Deixe um comentário:

Seu comentário só será publicado após aprovação do moderador.