O olhar a luz da filosofia de Sartre
Começo esta postagem com um belo versículo do Evangelho de Matheus.
“A luz do corpo é o olhar. Se o olhar for limpo, o corpo inteiro estará cheio de luz. Mas se o olhar for mau, o corpo inteiro estará cheio de escuridão”. Matheus 6,22.
Essa frase fora utilizada por J.R.Duran, um dos maiores fotógrafos do nosso Brasil, em uma entrevista concedida para a Revista da Tam Linhas Aéreas.
De fato, o olhar através da visão pode ser considerado, se não por todos, mas por mim, o principal sentido do ser humano. Conheço pessoas que nasceram com a deficiência visual e outros que a adquiriram no decorrer da vida. E observo como a experiência de vida pode ser interrompida ou limitada quando não se tem acesso a visão.
Vemos deficientes visuais canalizando toda a sua ausência de visão em outros sentidos, excelentes músicos (exercitando a audição), excelentes fisioterapeutas (exercitando o tato), maravilhosos cozinheiros (exercitando o paladar), homens e mulheres atenciosos e sensíveis (exercitando o olfato), etc.
Mas porque sentimos tanta compaixão para com os deficientes visuais? Talvez a melhor resposta seja simplesmente pelo fato de sermos tão dependentes da nossa visão.
Mas existe também a possibilidade de olhar para dentro (no nosso interior) e esse olhar independe dos olhos e da visão externa (do ponto de vista do órgão), e dessa forma o problema se resolve, isto é, ao olhar para si e assim conseguimos nos compreender, compreender o outro e, sobretudo a Deus.
Um lindo livro de Leonardo Boff (Como experimentar a Deus) e outro de Anselm Grun (A oração como encontro) nos ajuda a tomar essa visão de olhar para dentro para compreender basicamente 3 dimensões do encontro e da experiência com Deus.
O encontro/experiência com nós mesmos;
O encontro/experiência com os outros;
O encontro/experiência com Deus.
E quando olhamos para dentro de nós descobrimos uma imensidão que ainda não havíamos parado para olhar, isso é, o nosso EU. Com nossas virtudes, nossas limitações, nossos sonhos e medos…
Os olhos, um dos portais da consciência humana, falam. Eles são as janelas da alma, diz o poeta. É intrigante pensar o quanto um olhar é múltiplo de significados, ou, até mesmo, de pré-significados.
Um olhar é capaz de dizer tanto, pode dizer muito, e, até mesmo, dizer tudo. Ele pode ser reto, duro ou rígido; vir carregado de um oceano de possibilidades, promessas, inquietações ou angústias.
Um dia a minha amada Jaque me perguntou:
- O que mais você mais gosta em mim?
E eu disse: O seu olhar.
Ela perguntou: Por quê?
Eu respondi: Porque ele é extremamente expressivo. Só pelo seu olhar seu o que você está pensando, querendo… Ele diz muitas coisas…
Os olhos captam as imagens e transmitem ao exterior a sua impressão, afinal, somos animais óticos, sendo que um terço de nossas vias nervosas são destinadas aos olhos. Através do olhar é possível perceber a realidade que nos cerca e observar o que se passa em nosso entorno. O olhar anuncia, proclama, implora.
Cada olhar é vasto em sinais que expressam, dialogam, sendo capaz de causar felicidade ou paradoxalmente, levar-nos ao “inferno”.
A célebre frase de Sartre “O inferno são os outros” é Justamente essa análise.
Desta maneira, um olhar pode provocar efeitos avassaladores ou sublimes, pois, a todo o momento, vemos e somos vistos, e, quando olhados, temos a consciência de ser. Os indivíduos com olhos para ver estão em constante diálogo com o que seus olhos enxergam, pois é através do olhar que podemos conhecer o outro e expressarmos nossos sentimentos, encorajando, consentindo ou até mesmo, negando.
O filósofo Sartre, em sua obra O Ser e o Nada (Vozes, 1997), dedica um capítulo inteiro a importância do olhar. Para Sartre, esse é o modo de captação mais estável, direto, profundo e individualizado que possuímos, onde compreendemos e apreendemos o outro em sua complexa individualidade e em toda a sua diferença. Vemos a nós mesmos pelo olhar do outro e é através desse olhar que estamos ligados ao mundo ao qual pertencemos, é por meio dele que olhamos além de nós mesmos. Nos apercebemos que o outro existe para nós em primeiro lugar, através de nosso olhar.
Muitas vezes, somos observados por olhos ávidos em desvendar nossos mistérios. Olhar, portanto, é perceber o outro e captar sua imagem, seus gestos e toda a grandeza de seus significados. Se não vemos ninguém em nosso campo visual, organizamos nossa realidade acerca de nós mesmos como centro. Porém, ao olhar o outro se estabelece à relação primeira, uma relação de consciências, somos nós o objeto do mundo alheio. E é no mundo e dentro dele que interagimos que vimos e somos vistos.
O que podemos concluir então dessa análise sobre o olhar humano a luz da filosofia de Sartre?
Provavelmente que nós indivíduos, desejamos ser olhados, percebidos, reconhecidos; quem sabe até mesmo invadidos, porém, incontestavelmente aceitos por esse par de olhos. Que esse olhar repouse sobre nós e nos aprove que nos dê respostas, que através desses olhos possamos alçar vôos imaginários e imagináveis para além de nós mesmos. È através desse olhar que fazemos o reconhecimento de nossa transcendência, somos os nossos possíveis, somos seres humanos.
Sartre explicita claramente na definição do ser-para-o-outro que o outro me ensina o que sou, e muitas vezes quem eu sou verdadeiramente eu escondo do meu olhar de mim mesmo, aquele que falamos de um olhar para dentro, o do alto-conhecimento.
Se o outro me ensina quem eu sou e se eu o ensino o que ele é, é preciso sim se lembrar do que Matheus escreveu em seu evangelho (Mt 7, 3-5), isto é, para tirarmos a trave do nosso olho antes de tirar o cisco do olho do seu irmão. Para assim termos um olhar limpo que permite que nosso corpo e nossa alma estejam cheia de luz, como propõe o mesmo discípulo.
Paz e Nova Visão!!!
Bibliografia:
SARTRE, J.P. O Ser e o Nada. Editora Vozes.
Otto, Lara Resende. Artigo: Olhos para ver. Publicado no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Bíblia de Jerusalém.
Leandro Nazareth - Fotógrafo por amor, músico por natureza (baterista), filósofo por formação (UFU), gerente de projetos por especialização (UNIUBE) e gerente de produto por profissão (Algar). leandronazareth.blogspot.com



























Você conseguiu uma proesa: juntou Sartre, Otto Lara Resende, Leonardo Boff e a Bíblia em um mesmo artigo e não disse nada. Parabéns.
Mas conta aí Walbão !
Mesa sem talheres !?
Não se usa mais o guardanapo !?
Eu tô achando qui’ocê tá cum-ciúme hein cabrobó !?
Pois volta Walbão !
Queremos Walbão ! Queremos Walbão ! Queremos . . .
Queremos . . .Quirelas . . .
E hoje é sexta-feira, disse Robson Crusoé . . .
E em algum lugar deve passar “Querelle” do Fassbinder . . .
Ou não !?
Vc esqueceu de mencionar Anselm Grun…
1968 : _ Seja breve e claro ! disseram os estudantes a Jean Paul Sartre /
2009 : Ressoa o bordão (Desta vida grandiosa , assombrosa)
Pois sejamos então ! breves e claros / É sem sombra de dúvida um bom bordão !
Mas quando não !? a palavra é também amor !
E que o silêncio seja ouro ! Mas o que não é mais a palavra – a palavra provendo a técnica !?
E afora ou acima de tudo (vai saber !) é ! literatura.
Pois então /
” Um instantinho Biba ! Esta é a Biba ! roubei dela o jornal !
E não é que deu de novo na coluna do Jabu : ” O negócio desse Peido Luís ! é carnaval !
Mas como eu ia lhe dizendo ! Sejamos breves e claros !
Mas quando não !? É que (em princípio / ou melhor : é um princípio)
O melhor mesmo é ” Ser rato magro no mato do que rato gordo no do cu do gato ”
Mas isto se deve meu caro Leandro ,
A que veio você reportar (Oh ! grandiosa e prodigiosa vida)
Isto se deve muito provavelmente a nossa (por vêzes) deficiente visão.
Paz E Amor ! E até a próxima.
Meu caro Pedro Luis
Obrigado por estar por aqui novamente….
Talvez não tenha sido tão claro nesse artigo e talvez muito menos breve, tanto é que nosso amigo lá em cima achou uma pobresa, ops, proesa, falar de tantos e talvez não falar de nada….
Mas talvez seja pelo fato da visão alheia estar acostumada tanto com uma visão única, e, que o problema antigo aristotélico tenha tomada conta dele… isto é, sobre o uno e o múltiplo….
Abraços e até a próxima, meu caro.
Em tempo: é proeZa.
Para você ver o que é a Pedagogia !
E ” Noese ” ? será com ” s ” mesmo ? ZoeZia é com Z / não tem erro.
Pé quente – cabeça fria ! e a barriga também ! quer dizer – quis dizer :
a barriga ! vazia
com seu amigo Alcântara Machado. On line.
Poesia com “s” / Pois sim ! meu caro Alcântara !
que um “s” tenha se perdido ! que um “s” seja achado !
e Se não vier o tal “s” a nos fazer mais ou melhor / algum sentido !
que seja um “s” daquêles con-Siderado !
Veja aí o que lhe importa ! meu caro Alcântara e também Machado !
E que a gente aqui dance conforme a música /
mas isto é chover no molhado !
Atentemos então para o movimento !
e que isto ou aquilo não tenha aqui minimamente se explicado !
que este ou aquêle não tenha razoavelmente se mostrado !
que o pagode muito ou pouco se justificou !
e para alguns mesmo que nada !
Pois meu caro Leandro ! Fé em Deus e pé-na-tábua !