O que dirá o tempo?
Surpreendidos por especulações sobre supostas fraudes nos dados de pesquisas climáticas que apontavam elevações na temperatura global; o fato é que normalidade ou declínio não parecem estar acontecendo.
Ano após ano a mídia é invadida por notícias de catástrofes ambientais ao redor de todo o planeta, cada vez mais violentas e dramáticas. Exposta aos extremos do clima a população tenta aprender a sobreviver ao ritmo veloz dos acontecimentos. As chuvas, além do volume e intensidade visivelmente superiores ao suportável para a infraestrutura urbana, têm vindo acompanhadas de fortes rajadas de vento e até tornados. Em questão de minutos, cidades inteiras são inundadas e destruídas, comprometendo a recuperação e relocação populacional com rapidez, em razão da recorrência dos episódios. A seca também assola sem compaixão. A região norte brasileira, por exemplo, está vivendo a rudeza da estiagem há vários meses. Falta água potável, o transporte hidroviário predominante no local está interrompido em vários trechos, a alimentação está precária pela alta mortandade de peixes; enfim, a população ribeirinha carece da ajuda de ONGs1 e das diversas esferas do governo para sobreviver e transpor o problema. Nos países em que o inverno se caracteriza pela neve, o fenômeno das nevascas têm se intensificado e causado prejuízos de toda natureza para a população.
As intempéries naturais estão afetando a produção mundial de alimentos, criando uma legião de refugiados, promovendo a ampliação das necessidades orçamentárias das nações. Depois da grande crise econômica, quem deflagra a grande instabilidade global é o clima. Essa é a realidade que independe de quaisquer mensurações estatísticas. É a percepção direta de quem sente o clima de onde vive mudar radicalmente de um ano para outro. Há tempos que as estações do ano deixaram de ser como eram ensinadas na escola!
Se o intuito dessas especulações é ridicularizar e menosprezar os esforços do IPCC2 e seus membros, em nome de interesses econômicos que sempre representaram um significativo entrave aos interesses ambientais, à história da humanidade não tardará a demonstrar a verdade. Como reza a doutrina jurídica, “dê-me os fatos que lhe dou os direitos”; então, aguardemos o que o tempo tem a nos dizer.
1 Organizações Não Governamentais.
2 Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, estabelecido em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), fornece informações cientificas, técnicas e socioeconômicas relevantes para o entendimento das mudanças climáticas; seus impactos potenciais e opções de adaptação e mitigação. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Painel_Intergovernamental_sobre_Mudan%C3%A7as_Clim%C3%A1ticas)
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
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