O tremor do caos

caosPor Alessandra Leles Rocha

Mais do que quaisquer tremores do solo somos nós, a humanidade, que treme incontidamente diante de nossos valores e convicções. Conscientes ou não desse fenômeno, o terceiro milênio chega avassalador para impingir uma vital e urgente metamorfose social, por isso tantos tremores.

São muitas as indagações sobre quem somos, o que queremos, como atingir resultados, como lidar com sucessos e fracassos, enfim… Ruímos sob nossos próprios pés. A sociedade do poder, do consumo, da pressa, do individualismo se perdeu em seu próprio labirinto; esqueceu-se de olhar além dos horizontes, de contar com as adversidades, de acompanhar o ritmo das mudanças… Afinal, o mundo não é estático e viver é balançar-se no pêndulo do relógio do tempo.

Quiseram muito e conquistaram pouco daquilo que era realmente vital. Perderam a paz, o sossego, a saúde, o equilíbrio, o bom senso, o discernimento e fizeram guerras, promoveram a fome, segregaram os semelhantes – sobretudo, os menos afortunados -, mascararam doenças, manipularam milhões, construíram o caos. Até certo ponto um caos ordenado; mas, um caos! Foram às vias de fato pelo poder, pelo prestígio, pela soberba racionalmente humana, pelo território, pelas riquezas materiais, pelo prazer de bradar seu domínio.

Como tudo o que sobe um dia desce, seus joelhos foram ao chão. Se no sentido literal ou metafórico, isso pouco importa, o fato é que a humanidade se curvou, reverenciou mesmo a contragosto o que fugia as suas vontades. Viram-se pequenos diante do inesperado. Balançaram-se de um lado para outro, presos aos mais tênues fiapos de esperança. Diante da crise global, o “EU” foi substituído pela eloquência do “NÓS”. Experiência difícil e que apresentou momentos de desconforto e insucesso, mas a vida soube como reconduzi-los ao caminho certo mesmo que para isso necessitasse de medidas extremas.

De passagem por esse planeta até quando nos será permitido ficar? A marca do homem sobre esse chão tem valido à pena ou se apagará no sopro do tempo, sem piedade? Dia após dia as respostas sobre essas grandes questões nos são colocadas para reflexão. Muitos ainda não conseguiram perceber que não “somos”; mas, “estamos” aqui com o propósito de evoluir e contribuir. Enquanto isso o relógio do tempo balança incansável, assinalando nossos deveres e benefícios, colocando-nos à prova de que este não é um mundo de diversão; mas, de puro aprendizado. Nosso corpo, nossa alma e nossa mente tremem em seus respectivos casulos e assim permanecerão até que estejam prontos para se lançar na imensidão de uma nova era. A humanidade terá que ressurgir sem pele, sem casca, sem fantasia. A consciência lhe ditará o ritmo, a intensidade, as emoções e as necessidades. Nada de mascaras, de adornos, uma sociedade simples, movida pelo sagrado poder da comunhão, da aliança eterna entre Criador e criatura, nada mais.

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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