Onde está o perigo?
Por Alessandra Leles Rocha
Enquanto a violência se evidencia nas manchetes dos jornais, dentro e fora do Brasil, é curioso pensar que apesar de toda essa fúria a vida não se vê ameaçada só por essa razão.
Ao nosso redor milhares de inimigos invisíveis e alheios à nossa vontade escolhem seus alvos. É o caso, por exemplo, do vírus H1N1* (Gripe Suína). A sapiência da Natureza é mesmo irrepreensível! Com uma estratégia e logística perfeitas, o vírus se espalha, contamina, desestabiliza várias nações, elimina alguns indivíduos e não gasta nada; ao contrário, ele consome nossos esforços, nossos recursos, nossos pensamentos e ações. Queiramos ou não, ainda sim, não sabemos ao certo como enfrentá-lo.
Diante de situações assim, quem precisa de violência, de armas, de tiros, de guerras, para ver a vida exterminada ao sopro do inesperado? Quem vive morre, essa é uma verdade inconteste. Mas, então, por que abreviá-la por motivo torpe, banal? A vida já está na berlinda!
São situações, ameaças, ou reflexos da própria Natureza que vez por outra decide “fazer uma limpeza” no ambiente, eliminar excessos, e nós seres humanos sofremos a vulnerabilidade de existir. De olhos abertos nesse processo é possível perceber que de fato deveríamos tão somente agradecer enquanto estamos saudáveis, distantes das intempéries naturais, desfrutando de nossa capacidade cognitiva e física; pois, o tempo é ardil e veloz, esconde-se no véu da incerteza de um novo amanhã.
Extrapolamos as raias da ambição, do sonho, do poder, da riqueza, sem a certeza de que tudo poderia ser verdadeiramente usufruído, como se tivéssemos o controle da vida nas mãos. Conquistar ou não essas metas independe nossa permanência sobre a Terra. Buscamos um sentido insensato para a vida! Por isso, rodeados de bens materiais um espirro é capaz de nos tirar o sossego!
É tempo de refletir, de baixar armas, de fazer da vida um bem mais produtivo individual e coletivamente. O que irá nos matar é nossa própria estupidez que abre espaço a tantos inimigos e nos enxerga superestimadamente poderosos. Se não formos valentes pela razão, não será no grito ou no tiro que venceremos novos amanhãs, nem o vírus da nova gripe!
*Influenza A subtipo H1N1 também conhecido como A(H1N1), é um subtipo de Influenzavirus A e a causa mais comum da influenza (gripe) em humanos. A letra H refere-se à proteína hemaglutinina e a letra N à proteína neuraminidase. Este subtipo deu origem, por mutação, a várias estirpes, incluindo a da gripe espanhola (atualmente extinta), estirpes moderadas de gripe humana, estirpes endémicas de gripe suína e várias estirpes encontradas em aves. Variantes de H1N1 de baixa patogenicidade existem em estado selvagem, causando cerca de metade de todas as infecções por gripe em 2006. Em Abril de 2009, um surto de H1N1 matou mais de 100 pessoas no México, e pensava-se existirem mais de 1500 indivíduos infectados em todo o mundo em 26 de Abril de 2009. O Centers for Disease Control and Prevention nos Estados Unidos avisou que era possível que este surto desse origem a uma pandemia.. No balanço oficial da OMS divulgado no começo da manhã de 8 de maio de 2009, que não inclui o aumento de casos na América do Norte, Europa e América Latina, o número de contaminados era de 2384, com 42 mortes.( http://pt.wikipedia.org/wiki/Influenza_A_subtipo_H1N1)
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
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