Onde há fumaça… ou onde há um terreno baldio, há fogo
Então, está aberta mais uma temporada de queimadas. Mal terminam as chuvas, o mato seca e já começam as queimadas nos terrenos da Terra de Marlboro. Isso, aquela que fica bem pra lá, bem pra lá de Deodoro. É impressionante como ainda, até hoje, existem pessoas que usam do fogo para “limpar” terrenos. E olha que é uma limpeza super bacana. O cara mete fogo no terreno fazendo com que todas as formas de vida nele existentes migrem para casa dos vizinhos ao terreno. Escorpiões, baratas, ratos e outros bichos indesejáveis acabam entrando em nosso lares, picando nosso filhos e contaminando tudo por onde passam. Na minha vizinhança é normal vermos todos os dias terrenos ardendo em chamas e toda aquela fumaça entrando em nossas casas, fazendo com que até roupas recém lavadas fiquem defumadas. Com a baixa umidade do ar então, fica uma beleza. E nossa cidade que já tem tanta poluição fica ainda mais suja e fedida. Crianças (como é o caso do meu filho de 4 meses) chegam a lacrimejar os olhos, tamanha a quantidade de fumaça que entra em casa todos os dias. Mas quem faz isso pouco se importa com qualidade de ar, poluição, sujeira, essas coisas. Com toda certeza esse indivíduo defeca nas dependências da sua casa sem lembrar que nela tem banheiro. Em 1820 José Bonifácio Andrada dizia que as queimadas eram um ato de preguiça e má fé. Além de serem responsáveis por mais de 70% da emissão de poluentes no nosso ar. No caso dos campos de plantações existe um benefício imediato que é a concentração de nutrientes, como o fósforo, mas um ano depois a terra já não responde mais como antes de ser queimada. Existem ainda sugestões para se fazer queimadas controladas. Ou seja, a pessoa pode cometer o crime de queimar de forma controlada, legal isso né?
Daí, o sujeito vai lá, toca fogo no mato, acha lindo e depois reclama: “nossa como nossa cidade ta poluída” ou ainda: “nossa, como o ar ta seco e sujo”. Voltando a 1820, quando do comentário do José, a prática é antiga e ainda persiste em cidades atrasadas, como a nossa tão progressista. Junte-se a isso o fato de aqui ser um dos lugares onde mais se cortam árvores.
Então é isso, onde há um terreno vago, com certeza há fogo. Preparem-se para mais uma temporada de muita fumaça, ar seco e poluição nos céus de Uberlândia. Pois como ninguém isoladamente pode fazer nada, fica na mão do “poder público” criar maneiras de legislar e fiscalizar essa prática tão antiga e tão ultrapassada, mas que aqui ainda é ordem do dia nesta época do ano.
Obs.: as fotos são daqui.
Até a próxima.
Fabinho Rezende - Publicitário que gosta de cozinhar, tocar gaita, ouvir boa música e ainda escrever sobre tudo ou quase tudo que acha interessante.
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Concordo. Numa cidade que se diz tão pra frente isso não deveria acontecer.
Pena que ano que vem a cena irá se repetir.
Ai que raiva….o que me desanima de morar aqui é isso….prefeitura não existe e somos obrigados a ficar doentes do pulmão por causa da preguiça dos outros…aaaafffffff…..Quanta ignorancia!!!
Caros Amigos, moro em Castanhal – vulgo cidade “Modelo” no Pará, sei exatamente oque vocês passam, imagine que tem um camarada aqui próximo de casa que fez uma queimada do mato de todo o quintal da casa dele, fui reclamar e vi um menino, deveria ter uns 2 anos, falei que tal fumaça iria fazer mal para a saúde do filho dele, a resposta me impressionou… ” Tem Hospital pra isso mesmo … “.
Será que isso é mal do Brasileiro ?
Acho que deveria ter uma campanha igual a que temos contra a dengue, em que agentes de saúde visitriam as casa e explicariam os males que essas “pequenas queimadas” Causam.
Um grande abraço para todos.