Quando a alma se agiganta

escritor
Por Alessandra Leles Rocha

Há momentos em que a alma se agiganta, rompe as próprias fibras e decide materializar a própria essência. Nesse instante em que a força da alma golpeia o corpo nada mais resta do que render-se aos apelos das mãos que empunham a caneta e buscam afoitas pelo papel.

Sim! Escrever é isso! É transcender a si mesmo, aos próprios limites, aos próprios sentimentos, a própria razão. Verdadeira manifestação desavergonhada de uma alma que não se intimida em digitalizar no papel a sua própria marca; ousadia modesta em ser livre nas ideias e nas opiniões, nas lembranças registradas nas páginas da história.

Quem escreve voa, plana preso aos fios dos sonhos e da imaginação, chora e ri do alto das observações de um mundo tão complexo, de uma humanidade tão desafiadoramente intrigante. Assim, as loucuras que nos inquietam vão sendo domadas, resgatando a paz, o equilíbrio e a serenidade necessários para se continuar a viver. Harmonizamos os sentidos para que se tornem capazes de sentir o mundo menos pesado, menos sofrido, menos insano.

Sei que muitos têm medo, não se atrevem ou, simplesmente, atribuem a escrita ao domínio dos talentos especiais. Diante dos grandes virtuosos das letras é normal o acanhamento; mas, é preciso pensar que mesmo eles se não tivessem se lançado no infinito das palavras talvez jamais tivessem descoberto tamanha aptidão. Gostamos muito de falar porque acreditamos que o que sai de nossas bocas se perde no espaço, nem deixa rastro, há como fugir diante dos fatos; afinal, é a palavra de um contra a do outro e ponto final. Já a escrita é o oposto, perdura, cristaliza em diamante, conta e reconta os caminhos da estrada, os causos de toda uma vida.

Por isso escrever é compromisso consigo mesmo, é satisfazer-se, é ato de comunhão e desprendimento, é ser feliz independente das críticas, é reviver as singularidades da vida. Em essência somos todos escritores porque temos em nós muito mais do que pensamos. Então, façamos dessa arte, desse ofício, desse encanto, o prazer maior de quem vive trezentos e sessenta e cinco dias ao ano.

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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1 Comentário

  1. as primeiras palavras ditas sao de uma força que me abalou!

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