Resgatando os caminhos da Ciência

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Por Alessandra Leles Rocha

Lembro-me de uma professora dizer, ainda nos tempos de faculdade, que “se Darwin1 fosse vivo padeceria, com certeza, o infortúnio de não ser aprovado em concurso para professor de instituição pública, porque ao longo de sua vida tivera somente um trabalho publicado”. Sábias palavras dessa professora, posto que de fato os graus de exigência impostos pelos órgãos fomentadores de pesquisa fazem de acadêmicos, docentes e universidades verdadeiros celeiros de produção em série das Ciências. Tudo passou a ser mensurado matematicamente, atribuindo-se notas e ranqueamento a todos os elementos constituintes do sistema, sejam eles humanos ou materiais.

Mas, apesar de cruel e radical essa estrutura, ainda sim se pode quebrantar a análise, partindo-se do ponto que as Ciências hoje dispõem de muito mais recursos e por isso podem, e devem, dar vazão ao conhecimento, a experimentação científica, ao desenvolvimento tecnológico das nações. Quem se propõe a seguir por este caminho tem mais ferramentas para desbravar o inexplorado do que Darwin. Contudo, neste contexto em que tudo é favorável a se fazer Ciência, um novo ponto acena desfavorável e controverso. A liberdade de formação eclética e multidisciplinar, que nos encanta em homens como Darwin e Da Vinci2 e fizeram deles a expressão singular da genialidade; hoje, deixou de existir.

O infortúnio de não ser aprovado em concurso para docente de instituição pública, ou privada, conta agora com esse senão discreto e silencioso. Verdadeiros mestres, doutores e pós-doutores não podem se afastar de seu caminho original. Degustar de novas sabedorias em berços científicos distantes do seu, pode custar caro ao seu futuro profissional. A Ciência, mãe generosa e acolhedora de seus filhos, jamais lhes fecha os braços para a aquisição do saber, seja ele qual for; mas, a limitada perspectiva dos organismos gestores da educação pensa exatamente o oposto e crê convicta de que a multidisciplinaridade não adere o profissional aos caminhos científicos, tornando-o disperso e negligente para a formação de novos profissionais.

É! De tempos em tempos a sociedade desenvolve entraves para afastar-se daquilo que ela mesma afirma magnífico! Não reza a Ciência que sua existência está pautada na construção constante, advinda da contribuição de cada um de seus filhos? Não reza a Ciência que para o alcance do êxito almejado não há uma linha reta, mas a infinitude de vários caminhos? Como deixá-la se perder nas almas de tantos “idealistas” que não sabiam, e/ou não se prenderam, ao visgo tosco da ignorância burocrática?

Monteiro Lobato3 dizia que “Um país se faz com homens e livros”; o que é confirmado por várias nações como a Coréia do Sul e a Alemanha, as quais se reconstruíram e se desenvolveram alicerçadas nessa consciência. O investimento na Educação, na Ciência e na Tecnologia é muito elevado; mas, é o caminho para se chegar ao Progresso. Nosso país não é rico o bastante para ver seus investimentos sendo desperdiçados aleatoriamente dessa forma, quando se permite que professores graduados e qualificados estejam à margem do caminho, por terem sido sedentos de mais conhecimento. No ano em que se celebram as primeiras observações do espaço, por Galileu Galilei4, e os cento e cinqüenta anos da publicação do livro “Origem das Espécies” 5, por Charles Darwin, faz-se necessário redefinir os caminhos da Ciência no Brasil e reparar os equívocos que lhes têm ofuscado a direção.

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1 Charles Robert Darwin FRS (Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809 — Downe, Kent, 19 de Abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na Biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859. Darwin começou a se interessar por história natural na universidade enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de cinco anos a bordo do Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin)

2 Leonardo di ser Piero da Vinci (15 de abril de 1452 – Cloux, 2 de maio de 1519) foi um polímata italiano, uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico. É ainda conhecido como o precursor da aviação e da balística. Leonardo frequentemente foi descrito como o arquétipo do homem do Renascimento, alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção. É considerado um dos maiores pintores de todos os tempos, e como possivelmente a pessoa dotada de talentos mais diversos a ter vivido. Leonardo é reverenciado por sua engenhosidade tecnológica; concebeu ideias muito à frente de seu tempo, como um helicóptero, um tanque de guerra, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações, e uma teoria rudimentar das placas tectônicas. Um número relativamente pequeno de seus projetos chegou a ser construído, durante sua vida (muitos nem mesmo eram factíveis), mas algumas de suas invenções menores, como uma bobina automática, e um aparelho que testa a resistência à tração de um fio, entraram sem crédito algum para o mundo da indústria. Como cientista, foi responsável por grande avanço do conhecimento nos campos da anatomia, da engenharia civil, da óptica e da hidrodinâmica. Leonardo da Vinci é considerado por vários o maior gênio da história, devido à sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polêmicas. Num estudo realizado em 1926 seu QI foi estimado em cerca de 180. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_da_Vinci)

3 José Bento Renato Monteiro Lobato (Taubaté, 18 de abril de 1882 — São Paulo, 4 de julho[1] de 1948) foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX. Foi o “precursor” da literatura infantil brasileira e ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo, bem como divertido, de sua obra de livros infantis, o que seria aproximadamente metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de inúmeros e deliciosos contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, prefácios, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro e um único romance, O Presidente Negro, que não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato)

4 Galileu Galilei (em italiano: Galileo Galilei) (Pisa, 15 de fevereiro de 1564 — Florença, 8 de janeiro de 1642) foi um físico, matemático, astrónomo e filósofo italiano que teve um papel preponderante na chamada revolução científica. Galileu era o filho mais velho do alaudista Vincenzo Galilei e de Giulia Ammannati. Viveu a maior parte de sua vida em Pisa e em Florença, na época integrantes do Grão-ducado da Toscana. Galileu Galilei desenvolveu os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo. Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica newtoniana. Galileu melhorou significativamente o telescópio refrator e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter, os anéis de Saturno, as estrelas da Via Láctea. Estas descobertas contribuíram decisivamente na defesa do heliocentrismo. Contudo a principal contributo de Galileu foi para o método científico, pois a ciência assentava numa metodologia aristotélica. O físico desenvolveu ainda vários instrumentos como a balança hidrostática, um tipo de compasso geométrico que permitia medir ângulos e áreas, o termómetro de Galileu e o precursor do relógio de pêndulo. O método empírico, defendido por Galileu, constitui um corte com o método aristotélico mais abstrato utilizado nessa época, devido a este Galileu é considerado como o “pai da ciência moderna”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei)

5 Em seu livro de 1859, “A Origem das Espécies” (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), Darwin introduziu a idéia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural. Esta se tornou a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, notavelmente “A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo” (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e “A Expressão da Emoção em Homens e Animais” (The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872). Em reconhecimento à importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado na Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton. Foi uma das cinco pessoas não ligadas à família real inglesa a ter um funeral de Estado no século XIX. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin)

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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