Sob mais um escombro
Açoitada pelas tragédias, a humanidade se une em lagrimas, dor e pesar pelo terremoto que assolou o Haiti1. Estima-se mais de cem mil mortos e dentre eles encontram-se soldados brasileiros da Força de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) 2 e a fundadora da Pastoral da Criança, D. Zilda Arns3.
Diante das imagens exibidas repetidamente pelos noticiários, a mente encontra dificuldade para entender porque o Haiti fora vitima da desolação mais uma vez. Vitima da miséria, das desigualdades sociais, de sucessivas tentativas de golpes para alcançar a governança estatal, o povo haitiano não precisava de mais nada para roubar-lhe os sonhos e as esperanças por dias melhores e de encontro com a estabilidade pacífica.
Mas, as catástrofes não escolhem seus alvos mediante analise de cadastro; simplesmente acontecem, espalham a nuvem de terror e pronto! Tudo nivelado tristemente ao mesmo patamar, regresso duro e repentino às origens; afinal, “viemos do pó e a ele voltaremos”.
Nesse instante de caos e consternação, onde estarão as mentes enfurecidas e cegas que promovem a discórdia, a intolerância e os conflitos? Sob os escombros, as vidas, talvez; mas, os fatos brutais calaram as vozes, petrificaram os sentidos. O mundo que não encontrou consenso na Dinamarca4, agora se une no mesmo discurso, na mesma ação, para estender às mãos aos sobreviventes e reconstruir um país. Quem precisa de guerras, de armas, de conflitos, com um planeta que parece querer explodir e se livrar de habitantes tão mal comportados!
Nós brasileiros, geograficamente distantes do Haiti, sentimos de perto os efeitos desse terremoto. Civis e militares, bravos guerreiros na luta por um mundo melhor, estavam lá trabalhando na construção de um país livre de conflitos. Foram movidos por nobres ideais; mas, não terão a oportunidades de acompanhar seu desenvolvimento. Por hora o Haiti é também aqui! Estamos todos unidos em prece, em angústia, tentando dimensionar o tamanho da orfandade.
É certo que a situação pede urgência de ações assistenciais; mas, paralelo a isso, as lideranças mundiais precisam reavaliar o que significa o poder, o desenvolvimento e o progresso diante de uma contabilidade mórbida. Só ao homem isso interessa, se ele sucumbir nada mais terá sentido. Em cada canto do globo um funeral hasteia seu luto e os jogos de interesse teimam em corar as faces com o rubor da vergonha.
Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).
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