Tributo às origens

Por Alessandra Leles Rocha

Talvez nunca tenha me pronunciado tão enfaticamente sobre essa questão; mas, sempre é tempo em fazê-lo. Se há algo nessa existência que me preenche a alma de satisfação e alegria é pensar sobre minhas origens, recordar as memórias de meus ascendentes, mesmo daqueles que não cheguei a conhecer pessoalmente.

Sinto-me privilegiada por descender de homens e mulheres de grande valor humano. Gente inteligente, sábia, honesta, firme nos princípios e convicções, amante das artes e da cultura em geral. As mulheres então merecem destaque relevante! Quanta personalidade!Temperamento forte! Sem grandes ousadias no modo de agir, as mulheres de minha família sempre foram vanguardistas em seus pensamentos! Deixaram valiosas lições e na minha essência traços indefectíveis. Os meus cabelos curtos, por exemplo, é um retrato das minhas avós Maria Diniz Lelis e Jacira Camargo Rocha; bem como, a habilidade na culinária.

A tal vocação literária, além das mulheres, também herdei dos homens tanto pelos laços maternos quanto paternos. Meu bisavô Octávio Rocha foi renomado poeta e proprietário de um jornal no interior do Estado de São Paulo. Seu filho, Ary Novaes Rocha, meu avô paterno, era um entusiasta da literatura; e, além de discursar belissimamente na Câmara Municipal de Uberlândia, onde fora presidente, fazia de seus programas na Rádio Difusora um momento de poesia e simplicidade para os ouvintes, sobretudo o homem do campo. Do lado materno, meu avô Ivan Barreto Lelis e meus tios avôs, Walter e Rui, não se separavam dos livros; era onde desaguavam suas inquietudes e necessidades de saber mais sobre o mundo, o universo, a vida.

Assim, em cada pequeno gesto ou pensamento meu, sinto nítida a presença deles como uma lembrança delicada de que sou a perpetuação dessa geração gloriosa. Não sinto peso sobre os ombros; mas, a medida exata da responsabilidade dessa herança genética, em não ofender sua memória. Quero que eles e elas, onde estejam, sintam-se felizes comigo, com meus feitos, com minhas histórias, com o que melhor enalteço deles.

É certo que não devemos viver do passado, remoendo histórias,… Mas, conscientizar-nos de que nossas raízes estão lá é a chave para o sucesso do presente e do futuro. Uma autoanálise de nossas características, de tudo o que recebemos de presente sem mesmo saber, pode nos conectar com novos horizontes, com habilidades e perspectivas que jamais sonhamos alcançar. Sim! Há mais mistérios entre o DNA (ácido desoxirribonucleico) e a vida, do que sonha nossa vã filosofia! Por isso, não poderia deixar de registrar esse singelo tributo às minhas origens, aos Diniz, aos Lelis, aos Barreto, aos Camargo, aos Novaes e aos Rocha.

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