Viva a diferença!

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Por Alessandra Leles Rocha

Prefiro crer que essa imensa bandeira hasteada pelos meios de comunicação em favor da igualdade no contexto social não seja uma miragem de paz. Embora lhe atribuam status de país generosamente agregador, refugio seguro de todas as etnias, credos, gêneros, o Brasil infelizmente ainda mascara seus preconceitos por aí. Mas, aproveitando a alavanca da mídia para por o assunto na roda e unir esforços para rompermos velhos e rotos paradigmas é hora de perceber as conquistas e refletir sobre o futuro.

Viva a diferença! Se até nossos dedos são diferentes por que esse espanto, essa fobia, esse terror diante das discordâncias? Há os que se julgam deuses, indivíduos superiores, acima do Bem e do Mal, a nata da raça humana. É! Eles só se esqueceram de entender que, quando Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, ser semelhante não é ser igual! Outros consideram tão difícil lidar com suas próprias diferenças, que aceitar as dos semelhantes é tarefa impossível. Há também os que sonham com uma sociedade massificada, uniformizada, de verdadeiros seres sem identidade, para que assim não houvesse motivos para conflitos.

Quanto absurdo! Cada um de nós é a representação sublime da diferença, queiramos ou não admitir o óbvio. Independente da altura, do peso, da cor dos olhos, da pele, do sexo, da religião, nós somos em essência diferentes. É justamente por essa razão que devemos nos unir e comungar nossos pontos de vista para fazer a verdadeira evolução. E a televisão, que de todas as mídias é a de maior alcance junto à população, traz ao interior das residências brasileiras a vida como ela é, com a convivência de cristãos, muçulmanos, judeus, homossexuais, obesos, brancos, negros etc., a pluralidade de uma sociedade que é fruto da miscigenação. Não se trata de “aceitar”, de “simpatizar com a causa”, de “lutar pelos direitos desse ou daquele grupo”; romper com o preconceito é coexistir, é conviver sem apontar as diferenças, sem ter que fazer concessões.

Somos iguais pela lei; mas, não precisamos desse argumento para entender de vez que somos humanos, que partilhamos o mesmo espaço, que padecemos as mesmas mazelas. Será que alguém na fila do transplante de órgão vai se preocupar quem era o doador? Os bancos de sangue não fazem restrições aos doadores, exceto quanto à saúde dos mesmos. Durante as catástrofes naturais ocorridas nos últimos meses, todo o auxilio prestado por voluntários foi bem recebido; quem fez não olhou a quem e quem recebeu também não se preocupou quem ofertava. Mas, será preciso momentos de sofrimento e dor para tudo ficar tão simples?

Não! O próprio Criador exigiu do homem que crescesse e multiplicasse; mas, Ele sabia que dessa ação surgiria à diferença e dela o progresso e a evolução da raça humana. Por isso, não aceitar as diferenças é ir em oposição à própria sobrevivência; extinguir o preconceito é dar leveza e simplicidade ao cotidiano, é seguir o fluxo natural da vida.

Alessandra Leles Rocha - Natural de Uberlândia, Minas Gerais, onde se graduou Bacharel em Ciências Biológicas (2000) e Mestre em Geografia / Área de Concentração: Análise, Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental (2003), pela Universidade Federal (UFU).

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