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Nina Salomé - verasalo.blogspot.com

Expectadores desta tela. Senhoras e senhores. Sejam bem vindos ao núcleo de uma mente inquieta e dissoluta. O núcleo de uma mente que seduz o mal, fazendo-o refém...pra depois decidir que rumo dar a ele. Sem propósito de criticar, muito menos aconselhar, apenas retratar um quadro, através de feias palavras bonitas e, às vezes, de "baixo calão" (quando imprescindivelmente necessário). Eu vim aqui exprimir a putrefação das almas, invadidas pelo excesso de matéria, volúpias e senso de pseudo-caridade. Uma mutação genética ocasionada por culpa de um par de olhos bem abertos, ouvidos atentos e uma perspicácia superlativa de quem caminha ao lado, às vezes atrás, de maratonistas à deriva, entregues à própria sorte, filhos de uma sociedade do salve-se quem puder. Uma epidemia gerada de sua própria radiação que profere um anti-vírus, chamados textos, que podem tomar conta de seus lares doce lares através desta página cultural, penetrando lascivamente o núcleo de seus desvacinados cérebros contra o mais letal de todos os vírus, aquele que só lhe permite digerir o alimento já mastigado, capaz de provocar magnetismo ocular/cerebral e te levar ao vício da redenção, ocasionado assim, a morte em vida. Sem o afã de colecionar fãs ou vender livros (já me basta arrancar suspiros de meia dúzia de pessoas realmente relevantes), convido os interessados em literatura ofegante, e os que tem estômago, a conhecer mais um anti-vírus.

  • Causas Perdidas

    coracao

    é preciso sobreviver à hora da verdade
    um dia você se afoga no mar da ilusão
    e o mar é maior – não cabe na imaginação
    ninguém – nunca – vai abraçá-lo
    só depois de esfregar os olhos
    tudo fica claro – como areia em dia de sol
    a luz te ofusca a princípio
    depois enxerga – e usa – a chave da prisão
    a brincadeira de ser sério acabou
    é hora de brincar de ser livre – no xadrez
    se pudesse prever que era inevitável, juro, teria me retirado antes
    eu sei, extrapolei o horário, gastei todas as fichas – já vou tarde
    se soubesse tudo antes, erraria de novo, de novo, igual
    não quero o que nunca me pertenceu

    eu desisto de quem desiste

    deveria ser simples
    ser simples às vezes é complicado

    é preciso coragem pra errar – covardes acertam sempre
    é preciso dignidade pra saber a hora certa de sair
    prazer, meu nome é Cândida – amiga de Cândido – que é amigo de Voltaire
    a puro sangue que sobrevive porque também vira latas
    conhecida também por dedicar amor às causa perdidas
    e pra quem tem coragem, ao seu dispor
    pra brincar de ser feliz – enquanto ainda pode imaginar o mar

  • Volta

  • A meada

  • Tira essa fome de cima de mim

  • Não fui eu

  • E o monstro se diverte

  • Será que Deus crê em mim?

  • Maldito cheiro

  • Erros do âmago

  • Bons livros e más companhias