Colunistas 
Rafaella Biasi www.euhemorragia.blogspot.com
Rafaella Biasi cursou letras e se formou em Design de moda. Escreve apenas para alcançar o alívio, imediato.
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Memórias ainda abafadas num mundo onde as pessoas vivem no máximo por quatro anos.
(a Zhora, que soube desde sempre sangrar entre vidros de vitrines mortas)
Porque não se pode viver muito num mundo onde as corujas são de mentira e as músicas tocam a gente como necrófilos tocam gente morta, mundo onde a melancolia se mistura com a vontade de ser mais, de ser mais alta do que aqueles prédios que sufocam e onde ainda existem pianos e fotos p e b. Mania de querer ser o que valha um cinema noir. Mas não. Sinto que fui desmascarada, correram atrás de mim e eu com essas provas na mão, EU que nem sei dobrar origamis. Mas correram tanto e me perguntaram como eu queria morrer e quanto tempo eu teria. Não foi exatamente o que pensei quando quebrei aqueles vidros num propósito inexato e poético de mostrar a você que eu também sangraria, morreria gota a gota, e que eu não era apenas aquela boneca de plástico que você insistiu em colocar dentro do quarto. E você ficava lá me adorando e imaginando um futuro dramático de fugas em carros conversíveis e vista de terracota. Eu quis provar que eu cairia em câmera lenta torcendo para que você fizesse aquela cara de arrependimento e fosse me resgatar. Mas eu cairia em quadro a quadro só para te fazer ver o tanto que eu estava sofrendo, só para te mostrar que não existe razão para discutir a diferença entre ficção e a vida real, é tudo a mesma coisa. E você veria tanto sentimento, tanta carência que me abraçaria, e toda aquela poesia que a gente foge se tornaria literal, feita de sangue, aquele que refletiu entre vidros e mostrou para você naquele segundo toda a minha existência. Ninguém sabe que está vivendo até que corra o risco de morrer. Seja lá qual for essa morte, eu preferi olhar para você e dizer, eu morri de Amor e de Fé em quem me criou. Porque justificativa de deus é essa centelha luminosa e que vai apagando a cada dia que passa. Mas comigo não, a cada dia que aproximava da morte, eu me sentia mais humano, mais vivo e principalmente mais eterno. Porque você não viu o que eu vi durante essa mísera existência, e é uma puta sacanagem para a narrativa se eu não desse a mínima esperança de que tudo valeu a pena e que ainda não termina aqui, por entre essas lágrimas na chuva. Mas eu repudio esse discurso caquético de que tudo teve um propósito porque aquelas estrelas que eu vi caindo de um céu cinzento não fazia sentido, apenas vibrava. Furei seus olhos Pai para você nunca ver o que fez de mim, essa criatura metade vida metade não-vida, morta de sede, carente até o talo, preguiçosa, fútil, mimada e que solta pombas da paz pelos olhos toda vez que acorda e olha esse sol amarelo-alaranjado, com mais pixels que o sol de verdade, essa esperança escorre e derrete relógios de um tempo fading away. E esse desabafo é uma réplica apenas. Esse papel impresso em letras criadas por uma mente inteligente. O que eu queria mesmo dizer lies with me, e fica por trás desses olhos que cintilam muito, o que eu quero dizer talvez esteja aqui nesse sangue que você está vendo, entre essas minhas vontades de vida e morte. Sangue como aquele lírio que pousa na água e é seu próprio e distinto reflexo (em si mesmo).
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Exposição
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A pedidos
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Minimal e moderno
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Metonímia de causa pelo efeito
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Ilhas e corações selvagens
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Upside down
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Para nós que inventamos pessoas e livros.




















