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Wisley Francisco Aguiar minhafilosofia.blogspot.com

Sou Filósofo. Fiz minha graduação em Filosofia na Faculdade Católica de Uberlândia e meu Mestrado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Além de atuar como um pensador sou também amante do design, da arte, da internet. Atualmente, sou secretário de editoração da Faculdade Católica de Uberlândia, revisor de normas da Revista INTERAÇÕES – Cultura e Comunidade e assessor técnico das revistas eletrônicas da mesma instituição. Na UFU sou membro do grupo de pesquisa em Teoria Crítica e Filosofia Social e também do Núcleo de Estudos em Filosofia Antiga e Humanidades (NEFA).

  • É difícil escrever um texto…

    Somos milhões de pessoas no mundo, mas poucos se atrevem a escrever um livro, um artigo ou um texto de duas linhas. Sabemos das dificuldades inerentes à falta de escrita e leitura das pessoas e, principalmente, de alguns governantes que não vêem com bons olhos essa prática saudável. Escrever faz bem, ajuda a superar muitos problemas. Entretanto, a escrita ainda não é praticada como deveria ser. O medo, o receio e a falta de orientação prejudicam quem tem vontade, mas não têm os suportes necessários para concretização de tal sonho.

    Já dizia uma velha frase célebre de que o homem, no final da vida, teria que “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Essa frase sintetiza o projeto primordial da humanidade; o respeito à natureza, a continuidade da vida e o conhecimento. O livro, apensar de termos hoje uma tecnologia avançada e sofisticada de preservação dos dados, permanece sendo o principal instrumento de referência e pesquisa do conhecimento para o mundo. O magnata do computador, Bill Gates, atesta isso, ao afirmar que seus filhos possuem computador, mas nunca deixaram de ter livros, sempre terão livros para estudar.

    Outro empecilho para o ato de escrever é a falta de criatividade. Mas a falta de criatividade está ligada ao comodismo e a rapidez dos tempos modernos. Poucos têm o privilégio de se preocuparem apenas com seu trabalho literário e não com coisas de inteira sobrevivência. Mais uma vez se volta àquela velha situação dos intelectuais gregos, onde para ser um filósofo era necessário gozar do ócio. Os grandes pensadores tinham escravos que faziam o serviço inferior, que, no entanto, é indispensável para sobrevivência. Hoje, as crianças que poderiam ter a oportunidade de se dedicarem mais aos estudos muitas vezes têm que trabalhar para garantir o sustento da casa. Isso não é fantasia, é realidade mesmo.

    Voltando à rapidez dos tempos modernos, se eu perguntasse a alguém o que ele preferiria: escrever ou ler um livro, as respostas, ou a maior parte delas, seria que é melhor ler um livro do que escrever um, “demoraria de mais”, afirmariam alguns. De fato, ninguém quer dar-se ao trabalho de desenvolver um livro de 100 páginas. Existem tantos exemplares nas livrarias, não haveria necessidade. Escrever seria para poucos que gostam da coisa. No mundo em que vivemos, posso defini-lo como o mundo da coisa pronta. Tudo que você precisa é só ir à estante e comprar. Esse ato, tão fácil de realizar esconde a sedimentação da preguiça.

    O que falo aqui não é coisa nova. Muitos intelectuais já escreveram sobre o consumo, sobre o mundo moderno, sobre tudo. Apenas destaco que mesmo escrevendo e alguns lendo, essas coisas não se tornam profundas. Por exemplo, o incentivo a cultura, a literatura é excelente, mas não deixa de ter um viés comercial, porque o livro se tornou produto. Quando o livro se torna produto, não vale à pena ler, pois só é para satisfazer ou ajudar alguém a se superar, algo que particularmente acho, deveria ser da própria potencialidade das pessoas.

    Um escritor pobre, desconhecido, que escreve coisas legais, literatura fantástica, não tem seu trabalho reconhecido, pois as editoras se tornaram indústria e só publicam livros de pessoas famosas, que estão na mídia, afinal, venderia mais um livro de um ex-bigbroder do que de um José Silva que mora no interior de Minas Gerais, numa cidade chamada Pradolândia.

    É por meio de concepções tristes como essa que fica difícil escrever algo aqui no Brasil, como no mundo todo. O interesse econômico reina soberano e forte, que conseqüentemente faz a gente consumir lixo, porcarias e coisas do gênero. Não dá para ser escritor sério aqui no Brasil enquanto persistir essa indústria do entretenimento, que reduz a literatura num objeto de deleite. É essa a minha indagação.

  • Sobre a Dialética Negativa

  • Reprodução e experiência estética