Como são as coisas II
Vi no jornal correio uma matéria sobre a regulamentação da propaganda de outdoors na cidade. O objetivo é deixar a cidade mais limpa. O argumento é a poluição visual. Super válido, não fosse o fato de nossa cidade ser poluída por coisas que atingem olhos, nariz, pulmões e de forma muito mais agressiva que os outdoors.
Concordo com a regulamentação, mas acho que esse “problemão” na verdade é só a mísera ponta de um iceberg muito maior do que se imagina. Todos os anos a cena se repete. Vai chegando o período de chuvas e começam as preocupações com a Rondon, nos bairros aonde o asfalto ainda não chegou as ruas viram verdadeiros lamaçais e por aí vai. No período da seca, como ainda podemos notar, as fumacinhas das queimadas em terrenos vagos são constantes (junte-se a isso a bicharada que invade as casas de quem mora perto). Ah, temos ainda a fedentina das indústrias que circundam a cidade e que todos os dias em algumas regiões e em determinado horário o cheiro chega a fazer vomitar.
Vejam como são as coisas: de repente alguém cai num buraco de um jeito que a coisa vira atração, não sai da mídia e o fato se propaga de tal forma que todo mundo quer cair no buraco também. Saliento que não sou contra a regulamentação e vou além: a coisa deveria ser estendida aos mirrados monumentos históricos da cidade. Já que é para despoluir visualmente, vamos também tornar essa visão mais atraente, não é verdade? Vejam as fachadas do comércio no centro da cidade. Reparem a quantidade delas que estão encobertas por letreiros e luminosos. Retomemos a caída no buraco. Experiências como as de São Paulo e Belo Horizonte estão dando certo pela seriedade com que é feita a coisa. Multas pesadas e fiscalização intensa contribuem para a eficiência das medidas. Mas até nesses lugares com toda certeza existem outros tipos de poluição que devem ser combatidas antes, bem antes, mas muito antes de retirar outdoors irregulares da cidade.
Reflitamos ainda: vamos esquecer por alguns instantes as polêmicas acerca da retirada de outdoors em excesso e vamos pensar porque às vezes dois outdoors idênticos são colados lado a lado? Isso também é poluição visual, além de jogar parte da verba do cliente fora. O que quero aqui é ampliar a discussão, fazer um briefing mais completo, fazer pensar…
Tem um caso curioso que aconteceu há bem pouco tempo. Uma clínica, melhor, uma puta clínica aqui na cidade reclamou que os outdoors em frente a ela, atrapalhavam a vista do prédio por pessoas que passavam pelo local. O fato inclusive foi matéria de um programa de TV local de cunho popular. Coincidência ou não, eles continuam lá, porém em outra posição.
Tudo é uma questão de prioridade. Se no momento é mais importante proteger os olhos alheios do excesso de informação, por outro lado de nada adianta ter um olho saudável e, por exemplo, pulmões carregados de monóxido de carbono (incluo aqui o cigarro, que parei de fazer uso) de carros e caminhões, ruas alagadas devido ao lixo jogado em esgotos, mato de terrenos vagos servindo de esconderijo para bandidos, baratas, escorpiões, até ratos e que queimam como o inferno nessa época do ano, a já citada fedentina das indústrias e outras tantas questões bem mais importantes do que essa.
Abraço!
Fabinho Rezende - Publicitário que gosta de cozinhar, tocar gaita, ouvir boa música e ainda escrever sobre tudo ou quase tudo que acha interessante.

























Boa! Concordo em tudo. Abraço
Parabens pela matéria Fábio, adorei.
Espero as próximas….