Convincente?

Nos últimos dias tenho visto campanhas de condomínios fechados de Uberlândia. Todo dia surge um novo empreendimento sempre com as mesmas coisas (sauna, piscina, quadras, pistas para Cooper, sinuca, segurança, natureza, etc, etc…). Daí me veio uma coisa na cabeça. Será que tem gente suficiente para tanto condomínio? Resolvi então colher opiniões com quem trabalha no ramo.

Conversei com alguns corretores de imóveis, pois são eles que sabem o que rola nesse mercado. Todos foram unânimes em dizer que nossa cidade não comporta tantos lançamentos assim, mas é claro que existe quem acredita que a cidade comporta. Por isso acredito que a comunicação de tais empreendimentos deva ser a mais criativa, eficiente e eficaz possível.

Começo dizendo sobre os elementos usados em suas campanhas. Papai, mamãe, filhos e até cachorrinhos lindos (gut, gut) são usados como forma de convencer, ou pelo menos tentar, potenciais clientes a comprar casas e apartamentos nesses locais. Planos aéreos, cenas do local, corte para a família (toda ela, inclusive o cachorrinho) caminhando pelo condomínio, fusão para imagem de uma partida de tênis entre vizinhos, aquela locução com voz aveludada dizendo coisas do tipo: na melhor localização da gávea, ou ainda, perto de clubes, faculdades e supermercados. Entra lettering piscando: A partir de R$ 450,00 mensais em até 120 vezes (só 10 anos pagando o valor todo mês).

Os argumentos de venda e posicionamento também têm seu papel e devem ser bem usados. Durante o fim de semana escutei uma pérola: Lançamento único, com arquitetura exclusiva. Será que os lançamentos como, por exemplo, do Condomínio X e do Condomínio Y foram exatamente iguais? Será que a arquitetura de suas edificações também são exatamente as mesmas? Ainda podemos pensar às vezes se tratar de uma comunicação de supermercado ou outro varejo qualquer quando escutamos: Condições imbatíveis e termos como insuperável. Por isso, paro e penso se as empresas que fazem condomínios têm agências de publicidade ou não. Talvez sua comunicação seja criada pelo pessoal do marketing mesmo.

É notória também a sensação passada pelo uso de nomes como, por exemplo, de bairros de que a pessoa irá morar em outro lugar que não seja aqui, como Copacabana (parece que a praia tá do outro lado da rua), Gávea (dá pra se ver a pedra bem de perto), zona sul, etc… Não quero dizer aqui que isto não deva ser dito, deve sim, claro. Mas há argumentos, situações e até mesmo lances de oportunidades que com certeza fariam um melhor papel. O lance é ver o que irá em primeiro plano.

A grande jogada é sair do clichê, lugar comum, arroz com feijão. Existem maneiras bem mais impactantes de se comunicar com mais eficiência e eficácia. Mas sem uma boa coleta de informações mais uma boa dose de imersão no negócio do cliente, não é possível ser diferente e sair do rebanho. Simplesmente dizer o que se tem e onde fica não ajuda, pois a oferta com certeza está maior que a procura.

Abraços a todos.

Fabinho Rezende - Publicitário que gosta de cozinhar, tocar gaita, ouvir boa música e ainda escrever sobre tudo ou quase tudo que acha interessante.

Compartilhe:




Gostou? Deixe um comentário:

Seu comentário só será publicado após aprovação do moderador.