Estrangeirismos
O sujeito chega pra sua faxineira e diz: já pode começar a fazer o house keeping. A figura, assustada, logo pensa que é pornografia. É impressionante como hoje em dia existem tantos estrangeirismos na nossa língua portuguesa. O estrangeirismo em si não é um mal. Nossa língua é formada por palavras de origem latina, grega, árabe, francesa, inglesa. Ele se justifica quando não há uma palavra que traduza bem seu significado, como pizza e marketing por exemplo. Na minha profissão é comum o uso de termos em inglês, mas são como disse, termos técnicos e não palavras e ou expressões sem necessidade. É o caso, por exemplo, dos famosos 30% Off que vemos nas portas das lojas. Tem também o SALE que poderia ser simplesmente trocado por Liquidação. Seria interessante entrar numa loja dessa e, de cara, começar a falar em inglês com a vendedora, imagina a cena: Hello, I´d like to see some pents and also some shirts. Can you show me your best sales? Com toda certeza a pobre vendedora ou vendedor ficará por entender. Mas se a loja faz uso de termos em inglês, pode ocorrer de um estrangeiro entrar na loja e pensar que as pessoas ali sabem falar tal língua. Uma coisa que me chama muito atenção também são estrangeirismos no mundo da moda. É um tal de Stylist pra cá e pra lá pra designar o estilista, ah, o estilista! Pode se ver também o mais novo termo criado pelo pessoal do mundo da moda: Fashionista. Aqui a palavra foi aportuguesada, mas poucos sabem que seu significado é pejorativo pois trata-se, em determinados casos, da pessoa ou das pessoas que ditam ou adotam moda em exagero. Assim, uma pessoa que vive mudando a cor do cabelo pode ser chamada de fashionista.
Tem também o delivery ou entrega em domicílio e ainda a tele entrega.
São coisas que são lançadas no ar e que, com o tempo e por acharem que estão arrebentando a boca do balão ao falar tais palavras, as pessoas as adotam por pura vaidade na maioria dos casos. É “bonito” e “chique” dizer: “liga no delivery e pede uma pizza”. Algumas palavras já foram abrasileiradas e “viraram” verbos, como o caso do “Deletar”. Outras ainda continuam na sua forma original, como fast-food e overbook. E há ainda outras que caíram no uso comum e estão estampadas inclusive em fachadas comerciais como Self-Service. Imagina você ligar num self-service para solicitar um delivery de fast-food? E de repente o atendente diz que seu endereço foi deletado do sistema. Ou ainda um fashionista que não conseguiu comprar sua passagem aérea devido a um overbooking porque os preços tinham 30% off. Em eventos é muito comum vermos na programação que terá um coffee-break às 15h00, bem melhor dizer que o intervalo será às 15h00. O que incomoda são os excessos, e negar a influência de um idioma sobre outro é negar a natureza de todas as línguas. Bom, mas para entender melhor como funciona esse lance de estrangeirismo, veja o vídeo clicando no vínculo abaixo. Vinculo? Sim, vínculo é uma das traduções de link.
Boa leitura e até semana que vem.
Fabinho Rezende - Publicitário que gosta de cozinhar, tocar gaita, ouvir boa música e ainda escrever sobre tudo ou quase tudo que acha interessante.

























Fábio, acho que deveriamos avaliar se o uso exagerado dos estrangeirismos não está comprometendo a eficiência da comunicação? Será que ao colocar uma placa, identificando -se como drugstore, a farmácia está adotando uma estratégia de comunicação adequada à sua clientela? No mesmo caso encontram-se as lojas que substituem a entrega em domicílio pelo pedante e citado por vc delivery . Ou restaurantes Fast Foods. Nestes exemplos, a adoção do estrangeirismo em nada contribui para tornar a comunicação mais eficiente. Por trás do uso excessivo de palavras em ingles esconde-se a falta de auto-estima dos brasileiros com a sua língua e sua cultura. O dono da loja acredita que o sale confere um ar mais sofisticado à sua liquidação. A mesma coisa pensa o dono da farmácia com seu drugstore e o dono do restaurante com seu fast food. A lingua, desta forma, é usada mais para passar uma imagem elitizada do que para comunicar. A maior parte das pessoas não compreende a mensagem e fica à margem do processo de comunicação. Quem deve gostar desse abuso de estrangeirismos são os próprios estrangeiros. Afinal, se gostamos mais da língua deles, é possível que gostemos mais do seu modo de viver, dos produtos que eles fazem, do que eles pensam… E assim eles vão conquistando mais um povo, mais um pedacinho de terra, mais uma florestinha mais…mais…mais…
Além de outros casos e motivos, o estrangeirismo também é usado como uma forma de selecionar públicos.
Vou usar as lojas como exemplo. Geralmente, uma loja que tem em sua vitrine a palavra “sale”, quer atingir um público elitizado, com condições financeiras para frequentar um curso de inglês ou até mesmo para entrar em contato com a língua estrangeira por meio de viagens para o exterior e entender o que a loja está dizendo para ele.
Dessa forma, a loja está excluindo os menos favorecidos economicamente e os que não tiveram a oportunidade de ter contato com a língua estrangeira, colocando-os à margem, excluindo-os.
Afinal, não são todos que entrariam em uma loja sem entender o que está escrito na vitrine, no cartão de visita da loja.
Enquanto essas pessoas pensam que utilizar exageradamente outros idiomas em detrimento do seu demonstra prestígio, superioridade, o que estão fazendo é negar suas próprias origens. Valorizar o do outro em vez de valorizar o seu.
procuro 10 pontos positivos e 10 negativos do estrangeirismo.
pode me ajudar?
passo depois para ver a resposta
preciso para proxima terça-feira[01-06-2010]
obrigada!
Bom Juliana, que procurar dez pontos positivos e negtivos, seja uma tarefa bem interessante.
Mas não sei (pensando rapidamente. claro) se conseguiria visualizá-los. Como uma das pessoas comentou acima, temos que ver até onde eles atrapalham a eficiencia na comunicação. Por exemplo: Pra que dizer 50% off se apredemos que na nossa lingua é 50% de desconto?
Mas vou ver se até terça consigo te ajudar, caso queria podemos falar mais no msn, basta me adicionar, ok?
Obrigado pelo comentário.
Fábio.