Evangelismo literário
Por Homero Gomes
Como produção cultural e artística, a literatura não pode abrir mão do marketing e de meios de divulgação e campanhas para que leitores em potencial sejam alcançados, sejam leitores para sites e blogues de literatura, sejam para futuros lançamentos impressos ou dos novos e-books.
Os leitores estão espalhados, cada um em seu contexto específico, com suas próprias escolhas de leituras diárias e de rotinas de lazer estabelecidas. Dentre as escolhas de lazer à disposição está a internet, e com ela possibilidades de se espalhar a mensagem que o escritor pretende transmitir. Dentro do contexto literário, essa mensagem se constitui na verdade do escritor; da verdade dele, que é a verdade de seu discurso estético.
É, portanto, obrigação do escritor promover a “evangelização” dessa verdade. Espalhá-la a um número cada vez maior de leitores, pois se – no meio do infinito mar de publicações impressas, virtuais e digitais – o leitor não tomar conhecimento da verdade do escritor, este não poderá julgá-la.
Para auxiliar o escritor nessa “missão de evangelização” – seja pessoalmente ou por agente literário – existe uma nova estratégia, o Buzz Marketing. Ele age como um zumbido – ou um sussurro, por surgir sem muito barulho, na quietude da internet (por exemplo) –, cativando o público-leitor-alvo específico, mas que pode ser conhecido por outros milhares de leitores, inicialmente não planejados. Esse é o antigo e conhecido boca-a-boca, que já existe a muitos anos, mas que precisa efetivamente fazer parte das práticas de divulgação da arte literária.
Tal como o boca-a-boca, o Buzz Marketing de um conto publicado recentemente, por exemplo, não esconde sua intenção de se disseminar entre diversos possíveis leitores. Ele não pretende a venda em si (por exemplo, em uma campanha em que se divulga o lançamento de um livro), mas tem a pretensão de ver espalhada a mensagem do lançamento dessa verdade específica.
Com as facilidades que a internet trouxe, essa espécie de estratégia de Marketing está se tornando cada vez mais forte, rápida, pois pretende (e tem conseguido) atingir um número de pessoas cada vez maior. Essa estratégia tem tudo a ver com a figura ativa do leitor que não é passivo diante da mensagem. O leitor deve se tornar um fiel dessa verdade, mas por vontade própria deve “evangelizar” porque quer, pois com seu endosso a mensagem do escritor será mostrada, enviada, conversada e conhecida mais a fundo.
A partir daí, todos os atrativos do livro, texto, “mensagem” poderão ser conhecidos e novamente repassados a outros leitores que, seguindo uma lógica interna de relacionamentos interpessoais ou por interesses temáticos, possuem gostos parecidos e estão sempre atrás das mesmas coisas. É isso o que acontece quando se divulga no Facebook a publicação de algum artigo interessante publicado em outro site, ou quando se disponibiliza o link deste no Twitter. O leitor, assim, após “acreditar na mensagem” e de aprovar o texto como verdade, repassa aos seus contatos, espalhando a boa-nova do escritor, em um boca-a-boca virtual que poderá se reproduzir em progressão geométrica.
Para que o conceito de “evangelismo literário” fique claro definitivamente, veja-se o que afirma Arthur Dehon Little. Para ele, o Buzz Marketing “trata-se de uma das novas estratégias de Marketing que encoraja indivíduos da sociedade a repassar uma mensagem de Marketing para outros, criando potencial para o crescimento exponencial tanto na exposição como na influência da mensagem. Como os vírus reais, tais estratégias aproveitam o fenômeno da rápida multiplicação para levar uma mensagem a milhares e até milhões de pessoas”.
Não adianta analisar a importância da leitura e do papel do leitor se não houver leitores; fisgá-los, “evangelizá-los”, por meio dos anúncios do Orkut ou de um tweet divulgando o link de uma publicação, é função do escritor também (além de escrever).
Portanto, se os leitores não estão lendo a culpa é dos escritores. Pois não basta escrever bem e se esquecer de disponibilizar aos leitores o texto escrito; textos aprisionados em gavetas não existem, é como se nunca tivessem sido escritos. Além disso, ao disponibilizar seus textos, divulgando-os, o escritor amplia o papel de leitor, que se transforma em um disseminador de mensagens. Todo leitor é um evangelizador da verdade do escritor.
Caro autor, caro leitor, caso pretenda se juntar ao exército de evangelistas literários, comece agora mesmo a difundir o texto que leu e gostou (seja este ou outro). Caso tenha gostado de algum texto, promova, divulge, espalhe. Os colunistas agradecem e, como adeptos dessa ideia, continuarão divulgando textos de boa qualidade.
Homero Gomes - Escritor é autor dos trabalhos ainda inéditos Sísifo Desatento (contos), Tempo do Corpo (romance) e Jamé Vu (que está sendo publicado na internet. Colaborou com Rascunho, Cult, Germina Literatura, Ficções e TriploV. É editor do blogue coletivo www.jamevu.tumblr.com.

























Vamos então, não por questão de piedade altruísta, mas por acreditar que literatura se faz assim mesmo: no boca a boca.
Concordo ipses literis nas suas afirmações acerca do assunto. A literatura não vende por que todos nós só queremos que nossos livros vendam. Não olhamos pro lado e escrevemos uma linha sequer do amigo escritor que também tem seu talento e valor literário.
Da minha parte, tenho feito com êxito minha tarefa de casa, acessando blogues, lendo livros de amigos, resenhando-os, divulgando-os e comentando.
Assim fica minha manifestação de apoio ao movimento. E vamos comentar, e vamos divulgar a NOSSA literatura.
É isso mesmo,
Roberto Muniz Dias.
Legal ver seu entusiasmo; assim continuamos acreditando nas infinitas verdades que a literatura brasileiras nos apresenta. Vamos caminhando.
Abraço do Homero. Continue acompanhando essas Malaguetas.
A questão da paixão pela literatura tem um grave inimigo que é a má educação desse país, os moldes educativos que aprisionam os alunos e dificultam o despertar desse interesse. Ao mesmo tempo, o sujeito que não lê diz que gosta de escrever e lá vai… Mas a internet abriu espaço para novos escritores e acompanho alguns blogs com qualidade bárbara. É questão de interesse. Existem os “românticos” que querem publicar, mas não esperam a editora bater na porta de casa, aí é complicado. O site releituras tem uma sessão bem bacana com novos escritores. Fica a dica pra quem não conhece.
O negócio é partir pra ação, mesmo!
Você mexeu numa ferida terrível, Leal. A educação é um dos fatores responsáveis, sim, primeiro pelo culto da celebridade literária e, segundo, pela escassez de leitores de alta literatura. Por isso, muito se diz que temos mais escritores hoje do que leitores. Não sei não se é possível afirmar isso. Mas devemos urgentemente partir para a ação, com certeza. Obrigado pelo seu comentário e continue acompanhando as Malaguetas. Abraço do Homero.
Um amigo meu chamou isso de “semear literário”… e eu sou adepta… quando leio algo que gosto faço questão de espalhar por aí… parábens… gostei do texto…
estou nessa, muito boa, visitem http://www.oficinadolivro.net.br
Isso mesmo, Marcinha, semear é outra forma de nomear aquilo que podemos fazer para melhorar um pouco, quem sabe, os índices de leitura em nosso país. Isso (já se sabe) começa em casa, principalmente com a mãe lendo para o “barrigudinho”, que não vai conseguir largar os livros quando for maior. Mas há casos em que é preciso buscar fora o que não se tem no lar. Nesse caso, temos amigos como o Paulo que são boas influêcias. Abraços do Homero.