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- Discípulo errático de cinco perfeitos: Um Anjo Torto a me guiar pelas ruas, Um Anjo Pornográfico dos buracos das fechaduras, Um Machado sarcástico a cortar sem ter sangue, Um Poetinha inzoneiro das penas do mangue, E de um Chico brasileiro, feminino como luvas de boxe.

HEPTALOGIA ou POEMA DE TRÊS SUJEITOS

Olhei para um canto sujo do quarto
Onde canetas que não mais escreviam
Eram jogadas fora
Três Eus me olhavam de volta:
Eu, o Pai
Eu, o Filho
Eu em pranto.

Em lençois sujos manchados de gozo
Onde amores que não mais existiam
Eram lembrados agora
Três Eus me olhavam de volta:
Eu, o Pai
Eu, o Filho
Eu encanto.

Corri ao reflexo sujo do espelho
Onde marcas que não mais se escondiam
Eram vistas sem demora
Três Eus me olhavam de volta:
Eu, o Pai
Eu, o Filho
Eu espanto.

Passado por debaixo da porta
Presente na rua que me aporta
Em cada esquina uma vida vazia
Um punhal nas costas e três atos de covardia:
O amor negado;
O amor roubado;
O amor banido.

Esgueirando qual sombra incógnita
Cheirando tal um cão na chuva
Três partes de um todo insólito
De minha humanidade turva:
Aquele cético;
O outro pródigo;
Este lascivo.

Cercado por Heras e Bacos,
Punido por Ninfas e Górgonas,
Num labirinto entre o pó e o barro
Três hastes de uma só Quimera:
A impiedade de Hades;
A ira de Ares;
O desprezo de Asterion.

Sentado na cova que escava
Tão sujo como quando amava
Aceso o último cigarro Ateu
Três se despedem em ADeus:
O Pai Cristão;
O Filho Pagão;
Eu Hápax.

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2 Comentários

  1. Gosto de teus poemas, Lobo!
    Beijos

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