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- Fotógrafo por amor, músico por natureza (baterista), filósofo por formação (UFU), gerente de projetos por especialização (UNIUBE) e gerente de produto por profissão (Algar). leandronazareth.blogspot.com

Moral Provisória e Moral Definitiva em Descartes

descartes

Amigos,

As reflexões desse pequeno artigo, diz respeito a análise dos primeiros capítulos do livro O Filósofo e o Autor de Alexandre Guimarães Tadeu Soares.
Quando adquiri o livro do Alexandre no lançamento do seu livro na Universidade Federal de Uberlândia no Colóquio sobre Descartes no mês de novembro de 2008, falei da honra que sentia em ter podido ser aluno dele (Alexandre) e o pedi para autografar o meu livro, ele ao contrário de um autor vaidoso postulou que a honra era toda dele, uma vez que o meu livro seria o primeiro livro que ele autografava.

Segue a dedicatória:

Ao Leandro Nazareth,
Aluno dedicado e pesquisador criativo, com o meu cordial abraço.

Alexandre.

Comecei a ler o livro “O Filósofo e o autor. Ensaio sobre a Carta-Prefácio aos Princípios da Filosofia de Descartes”, no mesmo dia, e, logo nas primeiras reflexões sobre este livro me deparei com um tema interessante, ainda não vislumbrado por mim nos meus pequenos estudos sobre Descartes, sobretudo nos livros: O Discurso do Método e Meditações sobre a Filosofia Primeira.
Então como fichamente e anotações desse livro resolvi fazer e compartilhar com vocês uma reflexão sobre a Moral Provisória que precede a Moral Definitiva para justificação da autoria da obra (idéias) do filósofo.
Irei citar o Alexandre em algumas partes do livro e no final tentar fazer uma conclusão sobre o uso dessas duas morais para justificar a autoria de Descartes em suas obras.

Segue:

“Há, portanto, uma lei moral, exposta no quarto parágrafo da sexta parte do Discurso, responsável pelo surgimento do autor, pois exige que procuremos promover o bem geral de todos os homens tanto quanto a isso sejamos capazes, de modo que não podemos esconder o que em nós pode ser útil aos outros homens. Cabe, então, perguntar pela validade desse princípio proveniente de uma Moral imperfeita, que só pode ser provisória, dado que sua filosofia procrastinou toda e qualquer reflexão definitiva sobre a correção da ação humana”. (Alexandre Guimarães Tadeu de Soares, O Filósofo e o autor. Ensaio sobre a Carta-Prefácio aos Princípios da Filosofia de Descartes. Editora Unicamp. pag. 48).
“[No] [...] campo da ação, o homem que não conta com o guia seguro de uma norma moral inconteste tem que ser conduzidos por aqueles que avocam para si a responsabilidade de conduzir homens — quiçá fora destinados para isso por alguma decisão divina que não compreendemos –, ou seja, enquanto não dispomos de ciência da ação, estamos condenados a caminhar de olhos fechados. Ele que abri-los, mas ainda não tem condições de fazê-lo; deve seguir, portanto, quem afirmar tê-los abertos”. (Alexandre Guimarães Tadeu de Soares, O Filósofo e o autor. Ensaio sobre a Carta-Prefácio aos Princípios da Filosofia de Descartes. Editora Unicamp. pag. 49).
“A conduta no obscuro, no inexato, no impreciso é tematizada pela Moral Provisória da Segunda Parte do Discurso, à qual Descartes se refere na Carta-Prefácio, nos seguintes termos: “[...] um homem possuidor de um conhecimento vulgar e imperfeito [...] deve antes de tudo procurar formar para si mesmo uma moral que possa seguir para regular as ações de sua vida, porque elas são anediáveis e nós devemos sobretudo tratar de viver bem”. (Alexandre Guimarães Tadeu de Soares, O Filósofo e o autor. Ensaio sobre a Carta-Prefácio aos Princípios da Filosofia de Descartes. Editora Unicamp. pag. 49-50).
“Enquanto o homem possuir um conhecimento imperfeito, deve ele se contentar com a provisoriedade do próprio conhecimento”. (Alexandre Guimarães Tadeu de Soares, O Filósofo e o autor. Ensaio sobre a Carta-Prefácio aos Princípios da Filosofia de Descartes. Editora Unicamp. pag. 50).
Todo conhecimento provisório lida com o razoável se recorrendo sempre que necessário a elementos de crença. Para corroborar esse argumento segue uma citação da Primeira Meditação:
“Nunca vencerei o hábito de a elas [as opiniões costumeiras] assentir e nelas confiar, enquanto as supuser tais quais são deveras, a saber, de algum modo por certo duvidosas, como há poco foi mostrado e, não obstante, muito prováveis, sendo muito mais consentâneo com a razão nelas acreditar do que negá-las”
A passagem acima se trata especificamente da dúvida metódica, instrumento de superação do conhecimento provisório, ou da condição de provisoriedade do conhecimento que não possui bases seguras, a dúvida, portanto, tentará ajudar o homem superar o conhecimento provisório, imperfeito e alcançar o conhecimento perfeito, o conhecimento da razão.
Em quanto não chegamos no conhecimento perfeito, da razão, Descartes recomenda que tenhamos uma Moral Provisória, a qual ele detalha melhor na Segunda Parte do Discurso:

Segue quatro aspectos importantes que Alexandre postula sobre da Moral Provisória:

1 – A Moral Provisória considerada em sua totalidade, permite uma espécie de ampliação da consciência da ordem do mundo;
2 – A Moral Provisória recorre à toda tradição estóica romana, que elaborou toda uma refinada reflexão moral, para desenvolver o conceito de resignação, de auto-suficiência sapiencial, de adaptação à ordem do mundo;
3 – A Moral Provisória respeita as autoridades constituídas, seja pela maioria, seja pela tradição. Ela refina o máximo as opiniões, retirando aquelas mais extremadas, visando errar o menos possível quanto à correta escolha. Porém, reconhece as instituições tradicionais, sujeitando completamente ao seu príncipe e acolhendo a religião por ele professada.
4 – A Moral Provisória possui um caráter instrumental. Todo estudo, todo o esforço, todo o estudo, todo o conhecimento, toda a consciência sobre a maneira de viver, tem por meta final viver bem, viver sossegado e confortável para continuar a estudar e a filosofar.

“Lidar com a vida sem ciência a fim de que alcance a ciência é a função da Moral Provisória” (Alexandre Guimarães Tadeu de Soares, O Filósofo e o autor. Ensaio sobre a Carta-Prefácio aos Princípios da Filosofia de Descartes. Editora Unicamp. pag. 51).
A partir da Moral Provisória, subsídio para o homem continuar a filosofar e estudar vivendo bem que provirá o sucesso do mesmo da obtenção da Moral Definitiva.
É no momento em que o filósofo deixa Moral Provisória e atinge a Moral Definitiva, o conhecimento da razão, que está na hora de publicar a sua obra e tornar-se o autor e não só o filósofo.
No início deste ano Alexandre voltou para o Brasil, terminou recentemente o seu Pós-Doutorado na França, ele ministra aulas de Filosofia Moderna, Metafíca e Filosofia da História na UFU, vale a pena fazer algum desses cursos com ele.

Biografia:
SOARES, Alexandre Guimarães Tadeu de . O filósofo e o autor. Campinas: Editora UNICAMP, 2008.

Paz e Filosofia!!!












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