O que é isso?

Outro dia vendo a programação da cidade para o fim de semana me deparei com uma definição, se é que se pode chamar aquilo de definição de um “novo estilo de música”.

O Funknejo. Na hora estava tomando um café e de tão estranha sensação quase chamei meu amigo Juca, saca o Juca? Provavelmente mais um jeito de adestrar pessoas com comandos de voz do tipo: Sai do chão, mão no joelho, mão na bundinha, abaixa, levanta, rebola, dá uma viradinha e por aí vai.

Depois do sertanejo universitário (aquele que as músicas falam de conceitos de MTP, filosofia, equações, fórmulas e outras coisas relativas ao mundo das universidades) que deve ser uma coisa super instrutiva e carregada de conteúdo (urgh!) agora temos o Funknejo. Imagina a cena: o cara com o maior jeito de MC cantando no ritmo do batidão algo como “o coração da razão me fez sentir uma emoção quando tive uma visão” ou ainda “ficar por ficar eu não fico, beijar por beijar eu não quero” . Existem ainda as famosas versões remix de músicas desse, eh, desse “estilo” tais como Beber cair e levantar. O que já era ruim ficou péssimo.

O pior de tudo é quem cresce ouvindo essas coisas em casa. Quando chega perto da fase adulta, não sabe ouvir outra coisa, como um jazz, um João Bosco, um Milton Nascimento, um Led Zeppelin, um Bach, nada. Sem contar quando você está de carro pelas ruas da cidade e passa alguém do seu lado, também de carro, ouvindo num volume quase ensurdecedor essas coisas que contaminam a TV aberta nos programas de sábado e domingo.

Tamanha a quantidade de besteira, coisas depressivas, sacanagens e outras definições que vendem, geram milhões de reais em lucros para gravadoras e gravados. Gente que chora como se estivesse nos tempos da Beatlemania ao ver seus “ídolos”.

A coisa é tão sem originalidade que se apropria de algo já existente, piorando ainda mais o que já era péssimo. É um processo de aculturamento total por um lado e por outro um culto ao lixo, ao que não precisa pensar. Me lembro das festas universitárias de Uberlândia até parte da década de 90, eram feitas em chácaras com bandas de rock, gente de MPB, performances teatrais e coisas bem mais legais que alguém mandando gente tirar o pé do chão e rebolar. Até porque nessas festas nem era preciso mandar tirar o pé do chão, pois o próprio clima da festa e o som já cuidavam disso.

O que costuma acontecer também nesse meio é que a falta de senso é tão grande que é costume ver um cara de chapelão e fivelão cantando “…sou praieiro ô ô, sou guerreiro…”, e ainda misturar um riff de guns´n´roses com o tal funknejo. No mais moçada, é lamentável, pelo menos na minha opinião o que aparece em termos de música e de curtição. É aí que eu pergunto: o que é isso? A pergunta/resposta pode bem ser ilustrada no dois vídeos abaixo. Uma ma-ra-vi-lha.

Abraços.

Fabinho Rezende - Publicitário que gosta de cozinhar, tocar gaita, ouvir boa música e ainda escrever sobre tudo ou quase tudo que acha interessante.

Compartilhe:




5 Comentários

  1. Fabinho,

    Parabéns pelo artigo.

    Realmente temos assistido atônitos a esse bombardeio de sonoridades idiotas que parece não ter fim. E olha que acreditei ser a onda dos “bondes de sei-lá-o-quê” o fundo do poço. Mas somos sempre surpreendidos…
    Antes de vermos nossa massa popular indo às lojas para comprar Led ou algo do tipo, já seria um grande passo que todos se interessassem mais por livros que pela Tv de domingo, com seus programas de calouros e afins.
    Mas o sonho continua, mesmo cercado por funks, bondes, micaretas e tudo mais.

    abs

  2. Assassinaram o Guns’n'Roses e eu to muito de bode! Não tinha visto isso ainda… Mas vamos lá, refeito do susto eu lembrei da minha infância, pouco antes de nascer o Guns…
    O caso é que eu tinha um vizinho no alto da General Osório com seus vinte e poucos e eu com nove. O cara ouvia King Crimson num amplificador Gradiente no volume 7, de maneira que o pessoal do Patrimônio não conseguia ouvir os próprios pensamentos. Não é difícil sacar que isso pra minha formação cultural foi decisivo e em pouco tempo fiquei conhecendo o que existia de melhor nesse universo maravilhoso e até então desconhecido. Ainda no mesmo ano fui à uma loja famosa no centro da cidade comprar meu primeiro LP, Dark Side of the Moon. E não parei mais.
    E como sou da velha escola de retribuir gentilezas, ouço Rock’n'Roll no limite da distorção. E tenho certeza absoluta que tem pelo menos um moleque na vizinhança que vai pra um canto sossegado da casa escutar música de qualidade e que, certamente, um dia irá sacar que bom mesmo é cultura e contra cultura. Anti cultura jamais!!!
    Pra finalizar, meu amigo, eu te pergunto. É o Rock mesmo que vai morrer?
    Um abraço!

  3. Fabinho…
    pior aconteceu comigo: EU que GOSTAVA do sertanejo (mesmo!!! de raiz!!!) e ter que experimentar essas novas (a)versões, intituladas de evolução do gênero/estilo! sei lá…(afinal: o que é mesmo isso???) kkkkk

    muito bom teu artigo. Mesmo!!!
    bj

  4. Fábio,

    parabéns pelo artigo, sempre converso muito sobre isso com amigos (principalmente os músicos). Depois de ler, estou pensando seriamente em juntar uma grana pra instalar um som com uns 2000w de potência no meu carro, e sair por aí tocando coisas do tipo “Take Five” do Dave Brubeck. rsrsrs

  5. Vixiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii….

    O que é isso?

Gostou? Deixe um comentário:

Seu comentário só será publicado após aprovação do moderador.