Um Encontro entre um Berrante e uma Jukebox

Por Luciana Arslan

Ao escutar o comentário de  que um bar , no bairro  Tubalina , possuía uma Jukebox, me interessei de imediato.  Quem hoje, em Uberlândia, com  e-mule , mp3, mp4, mp18,  e do lamentável som automotivo,  pagaria para ouvir uma música numa Jukebox ?

Após uma semana estava eu lá ―sentadinha― no Bar da Ana, que não tinha refrigerante diet , vinho  ou  whisky.  Mas estava lá a jukebox: não  a antiga , que eu havia idealizado , mas era uma jukebox moderna , que em alguns casos tocava música e mostrava video clip ao mesmo tempo.  A cada um real você recebia uma ficha , que permitia  escolher duas músicas.

Pedi uma água e uma paçoca.

Comprei uma ficha , e dei para o meu “guia”  escolher as músicas. Ele escolheu  “Como eu Chorei” da dupla  Lourenço e Lourival, que causou comoção geral  e comentários de todos os presentes. Uma música e pronto ! Já estávamos enturmados e assimilados no bar!

Antes de escolher a segunda música, chegou no bar um habitué antigo , conhecido por todos, vestindo calça Lee, camiseta baby look preta , chapéu e botas de cowboy. Quando ele viu que estávamos decidindo por uma música gritou, com uma pronúncia já afetada pelo consumo de álcool:  - Toca Daire Strits! Daire Strits!

Lá estava Dire Straits programado.

Ao tocar sua música, nosso amigo (todos tornam-se  amigos nesse bar) pegou o seu berrante e  acompanhou a música da Jukebox: dançando, sapateando  e tocando o berrante . Assim  que ouvi um  inusitado duo , de uma jukebox e um berrante: uma rara experiência , só comparada (talvez) pelo anual festival de Música Nova de São Paulo.

Logo depois, o cowboy comprou mais fichas e ofereceu músicas para outros frequentadores do bar,  para quem queria dançar ou ouvir uma canção mais romântica: todos ganharam uma música de presente. Ali, todos era contemplados, excetuando um cachorro de pelúcia, sufocado num saco plástico, pendurado no teto.

Seguiu-se a audição de um repertório inusitado, que incluiu “Menina da Aldeia” do  Lourenço e Lourival; “Fruto do nosso amor” , “Desisto” e  “Vem Morena” do  Amado Batista , além de várias do Dire Straits, Raul Seixas  e Zé Ramalho.

Graças a Jukebox, tardiamente conheci o que viria a ser o “espírito de boteco”.

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O Bar da Ana fica na Av Carlos Gomes , em frente a feira livre de terça-feira . Bairro Tubalina.

Luciana Arslan - Artista e pesquisadora, reside em Uberlândia, onde é professora do Departamento de Artes Visuais da UFU e responsável pelas ações educativas do Museu Universitário de Arte de Uberlândia-MUnA.

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2 Comentários

  1. Caramba!!! morei um bom tempo no tubalina, devo ter passado enfrente o bar da Ana, e nem percebi o jukebox!!!

  2. Adorei o texto.
    Endereço anotado, algumas canções na ponta do lápis, outras pratas no bolso e Bar da Ana LÁ VOU EU!
    Salve a “botecagem”!

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