Uma árvore, um artista e dois verbetes

arvore

1. Vá !

Em  Uberlândia, dê uma volta ao redor da Praça Coronel Carneiro,  onde estão a  Casa da Cultura e o Restaurante Casarão. Procure uma árvore escondida/revelada através do muro. Finja – se desconfiado, enganado, olhe outra vez e  veja  novamente.
Aproxime-se .  Divirta-se.

2.  Pense no  pintor

Assis Guimarães, criador da árvore do muro,  é  artista de Uberlândia. Público, realmente. Ele é tão conhecido que gosta de fingir que é anônimo:  não assinou a tal pintura.  Com  sorte, é possível encontrá-lo na cidade, de passagem , entre uma de suas  viagens. Suas obras podem ser vistas em  praças, restaurantes,  rodoviária,  museu, nas escolas, nos hotéis , nas folhinhas de paredes, nas salas de estar, no fundo das  piscinas ( e a lista não tem fim)[1].

3.  Leia os verbetes da Arte  e tire as suas próprias conclusões :

Trompe l´ oeil

Estilo de pintura no qual a imagem é representada com um intencional grau de detalhes realísticos, conseguido graças ao  uso da perspectiva e do claro – escuro, com o propósito de iludir o espectador, levando-o a pensar que se trata de algo real, em três dimensões. É utilizado em uma grande gama de trabalhos, inclusive em decorações arquitetônicas de grandes dimensões, que têm por objetivo alterar a percepção de quem as vê quanto ao verdadeiro tamanho do espaço em que se encontram. [2]

Site Specific:

O termo “sítio específico” faz menção a obras criadas de acordo com o ambiente e com um espaço determinado. Trata-se, em geral, de trabalhos planejados – muitas vezes fruto de convites – para um certo local, em que os elementos esculturais dialogam com o meio circundante, para o qual a obra é elaborada. Nesse sentido, a noção liga-se à idéia de arte ambiente, que sinaliza uma tendência da produção contemporânea de se voltar para o espaço – incorporando-o à obra e/ou transformando-o -, seja ele o espaço da galeria, o ambiente natural ou as áreas urbanas. Relaciona-se também de perto à chamada land art [arte da terra] que inaugura uma nova relação, nesse caso, com o ambiente natural. Não mais paisagem a ser representada, nem manancial de forças passível de expressão plástica, a natureza é aí o locus mesmo onde a arte se enraíza.(…) É possível afirmar ainda que as obras ou instalações site specific podem remeter à noção de arte pública que designa, em seu sentido corrente, a arte realizada fora dos espaços tradicionalmente dedicados a ela, os museus e galerias. A idéia geral é de que se trata de arte fisicamente acessível, que modifica a paisagem circundante, de modo permanente ou temporário. [3]

[1]Confira outro texto que escrevi sobre o artista para o Correio de Uberlândia: http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2008/12/01/33574/vc_correio_02-12-08.html
[2] MARCONDES, L.M. Dicionário de termos artísticos. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke,  1998.
[3] ENCICLOPÉDIA DE ARTES VISUAIS.. ITAÚ CULTURAL, acessada em 28 de julho de 2010. http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=5419

Luciana Arslan - Artista e pesquisadora, reside em Uberlândia, onde é professora do Departamento de Artes Visuais da UFU e responsável pelas ações educativas do Museu Universitário de Arte de Uberlândia-MUnA.

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3 Comentários

  1. Gosto muito deste artista, além de ter um talento muito grande para o desenho e a pintura é uma pessoa super simpática.

  2. Arvore e arte são muito parecidas, ambas precisam de uma semente. É o caso deste texto que comento, é algo que após ler, sei… Sei que vai crescer, sei que vai virar algo maior, sei que vai ficar um belo trabalho e quem sabe, ser, uma base para novas sementes. Parabens e continue o trabalho pois ele merece ser grande.

  3. Puts! Como o cidadão conseguiu o seu diploma na faculdade de artes visuais da Universidade Federal de Uberlândia?

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