Vida Mecânica
Vida e Morte. Já pararam pra pensar nessas coisas?
Imagino que sim. Uma hora ou outra todos param pra pensar nesse tipo de coisa.
Seriam opostos?
Eu acho que não. Talvez duas extremidades. Sei lá.
O que seria a vida? O que seria a morte?
Putz! Perguntas cavernosas.
Por alguns instantes fiquei sem resposta pra elas.
Há pouco tempo tive o prazer de ler Carlos Drummond de Andrade… O livro “As impurezas do branco”. Ele fala muito sobre isso: o cotidiano, o amor, a vida e a morte… Você percebe um certo ar pessimista nas palavras daquele poeta. Mas seria mesmo pessimista? Quem sabe não seria realista?
A visão que tenho das palavras daquele livro é que a vida não passa da constante e incessante busca pelo sentido da vida.
E a morte? A morte é o momento em que você descobre o sentido da vida.
Estranho. Não acha?
Cheguei a acreditar nisso algumas vezes. Tudo bem, cheguei a acreditar nisso muitas vezes. E em alguns momentos ainda me pego acreditando nisso.
Veja bem…
Você tem sonhos? Objetivos? Motivos? Problemas? Alguma coisa tem. E dedicamos cada minuto dos nossos dias na busca desses sonhos, objetivos, motivos e na resolução desses problemas. Não seria tudo isso a busca do sentido da vida?
Você trabalha, estuda, se diverte, ora… tudo buscando resolver algo, descobrir algo.
Viu só? Você tem passado a sua vida buscando pelo sentido dela, não é verdade?
Até aí, parece que a leitura que fiz de Carlos Drummond faz muito sentido. O problema é que, de acordo com essa mesma leitura, só encontraremos o sentido da vida na morte. Será mesmo?
Temos levado uma vida mecânica. Temos vivido rotinas e rotinas em busca desse sentido. E valerá a pena?
Hoje pela manhã, ao sair para o trabalho, vi uma criança encontrar um rádio velho no lixo do vizinho. Os olhinhos dela brilharam. Ela pegou aquele rádio, limpou-o com todo carinho, e dizia: “Sempre quis um desses! Tomara que funcione!”
Poderíamos interpretar essa situação de várias formas, principalmente se levarmos em consideração os problemas sociais que perturbam o nosso mundo. Mas não foi nisso que pensei naquele momento.
Veja só a simplicidade dos desejos daquela criança: o brilho nos olhinhos dela mostrava claramente o sentido de sua vida. Chega a ser engraçado. Nascemos com o sentido da vida em nossas mãos. Vivemos a simplicidade. Tudo é tão claro. Aí crescemos, complicamos, tudo se torna turvo. E perdemos o sentido da vida.
O que nos resta agora é reencontrar esse sentido. E a esperança de reencontrá-lo em tempo.
Pobre criança…
Ela vai crescer…
Artur Queiroz - "Quem sou? Dizem que sou quieto, calado! Dizem que sou muito certinho, letrado! Dizem que sou esperto, velhaco! Dizem que sou espontâneo, engraçado!" www.arturqueiroz.blogspot.com

























Acho que não ser humano nenhum que não pense nisso e tente (re)encontrar o sentido de sua vida, mesmo que o faça sem tomar consciência.