Cantigas Desejosas e Logomanias

I

Conto luas em teus lábios.
Sorvo luxúria dos teus olhos.
Pássaro, sou teu servo!
Pedra. Cal. Beijos furtivos.
Tigres libam a bebida dos teus odres
E a minha carne dá luz a borboletas de fogo azul.

II

Vê esse focinho? Abocanha-o.
Os ossos? Quebra-os a todos.
Deixa-me apenas com este ISSO
A que chamam de carne.
Esse pálio de harmonias sacrossantas.
Anseios de calunia e dor.

Deixa-me apenas com este fardo ubíquo,
Abstrato como o AQUILO
A que chamam de amor.

III

A mascara de charco deste verme
(Eu sou o verme)
É o escarro seco da tua boca.
Mira minha estatura. O corpo franzino.
Sou aquele que desejas?

Antes ser agua e me espalhar por teu corpo
Fundir-me as conjunturas da tua carne
Ser uno e eterno contigo,
Centauro de fogo.

IV

O túmulo da alma é o corpo.
Alma é uma brisa amena
Olenta tal qual rosas de um jardim bem cuidado.
Corpo é um resquício de demônio nas gentes.
É um desejar o outro.
Fartar-se do seu sangue, vrill.
Corpo é um vale de ossos
Coberto por um pasto de carne,
E os músculos são tão fétidos e amargos
Como o absinto.

V

Conheço o arquiteto deste jardim:
DEUS.
De Jesus Cristo não falo,
É mais um dos semideuses
Tal qual Hércules e Dionísio.

Conheço o construtor da minha estrutura.
Deus quem me fez assim:
Pelo. Carne. Suor. Visgo.
E um desejo de foder e ganir
Tão grandes
Como a própria santidade
Com a qual o senhor se veste.

VI

O peso da noite está em meu corpo,
Tal qual estola escarpada de monge ou papa.

Sei das coisas escuras como sei da minha própria vontade.
Impudico, revelo-me.
Ensandecido, imploro-te:
Tomas-me o corpo.
Fode-me!

Marcos Welinton Freitas

Marcos Welinton Freitas

Baiano do Bravo/Serra Preta. Graduando em Economia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Escritor: poeta e contista.

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