Categoria ‘Artigos’

  • Reconhecendo os limites

    quebracabeca

    Por Alessandra Leles Rocha

    No momento em que o tema Direitos Humanos1 aflora os ânimos mundo afora, pois o que deveria servir de regra geral acabou caindo nas armadilhas do bicho homem e sendo interpretada ao bel prazer de cada indivíduo e nação; parei para refletir sobre o assunto no âmbito da minha perspectiva cidadã.

    Não deveria, mas é um fato: o ser humano realmente precisa da coerção normativa estabelecida pela sociedade. Por mais obvias que determinadas situações cotidianas possam ser, só a imposição dos códigos jurídicos para colocar tudo no seu devido lugar. Sim! O homem não é um ser coletivo! Sua dificuldade em viver coletivamente, em respeitar as fronteiras do “eu” e do “nós” é absurda! Ele não consegue transcrever, mesmo que hipoteticamente, as dores e os infortúnios de seus semelhantes, se colocar nesta ou naquela situação, para avaliar o contexto, o grau de perturbação e caos que isso promove. É como diz o ditado popular: “pimenta nos olhos dos outros é refresco!”.

    Só que não é bem assim, que a roda gira! Se extrapolamos, desrespeitamos, invadimos, usurpamos o espaço alheio haverá também quem pense da mesma forma e revide sobre nós. A grande questão é saber aonde esse ciclo irá nos levar. Como pensar verdadeiramente nos Direitos Humanos se somos capazes de enxergar os fatos somente quando nos entregamos à subserviência dos papéis? Vivemos numa sociedade de corsários que pilham do nosso direito ao descanso, ao sono, até a justiça social.

    Palavras como “OBRIGADO”, “COM LICENÇA”, “ME DESCULPE”, ”POR FAVOR,” estão caindo em desuso. Desculpam-se alguns pela correria cotidiana; mas, a grande verdade é que as lições do “BEM COMUM” 2 se perderam no vendaval individualista. Então, as trivialidades tornaram-se motivos, também, para a busca de socorro nas leis. Nada de bom senso! A sensatez da questão precisa estar nos títulos, nas seções, nos artigos, nos parágrafos e nos incisos; bem como, na cabeça dos promotores e magistrados para que os faça cumprir. Ao entregar as decisões mais banais ao julgamento de terceiros, fica revelada a nossa incapacidade de autonomia, que permanecemos dependentes de arreios e cabrestos éticos e morais para controlar tamanho primitivismo.

    O planeta Terra já vive sob uma imensa expectativa de caos e turbulência, cada um que reconhecer e respeitar o seu espaço já estará sem duvida alguma contribuindo significativamente para a paz, o equilíbrio e todos os direitos que regem a humanidade. É tempo de coexistir, de dispensar os preciosos minutos que nos restam ao que seja útil, vital e capaz de preservar a nossa própria espécie.

    1 Os direitos humanos são os direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos. Normalmente o conceito de direitos humanos tem a idéia também de liberdade de pensamento e de expressão, e a igualdade perante a lei. A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas afirma: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.” Art. 1º (http://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_humanos).

    2 Bem comum é o fim ou o objetivo a ser atingido pela sociedade humana. Seu conceito foi formulado, segundo a Doutrina Social da Igreja, na encíclica Pacem in Terris, de 1963 pelo Papa João XXIII: “O bem comum consiste no conjunto de todas as condições de vida social que consistam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana”. Por outras palavras, o bem comum é o fim das pessoas singulares que existem na comunidade, como o fim do todo é o fim de qualquer de suas partes. Ou seja, o bem da comunidade é o bem do próprio indivíduo que a compõe. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bem_comum)

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