Categoria ‘Crítica’
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Chico Xavier

Existem filmes que fazem muito sucesso nos cinemas até antes mesmo de serem exibidos, principalmente por causa do marketing que é feito em volta deles. Chico Xavier é mais uma dessas produções que antes da estréia já era sucesso garantido de bilheteria. E tinha mesmo tudo pra ser. Um filme sobra a vida de um dos maiores médiuns do mundo, dirigido por Daniel Filho e estrelado por um grande elenco que inclui nomes como os de Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Tony Ramos e Christiane Torloni só podia ter como resultado o sucesso.
Mas talvez esse seja um dos grandes problemas de Chico Xavier, como acontece em diversos filmes em que se cria muita expectativa. Confesso que não achei tudo isso que as pessoas vêm falando à respeito dessa produção. Não que o filme seja ruim. Pelo contrário, é bem interessante. Mas também está longe de ser um excelente filme. Talvez para os espíritas ou para os que se identificam com essa religião o filme realmente seja fantástico. Mas minha análise não é feita pelo lado religioso e sim cinematográfico. Portanto nas próximas linhas faço minha crítica em relação ao filme Chico Xavier e não ao médium Chico Xavier.
Primeiramente, por ser um jornalista de Uberlândia (cidade vizinha a Uberaba, onde o médium viveu muitos anos), acredito que o filme se perdeu muito ao destacar mais a infância e juventude de Chico em São Leopoldo ao invés de focar seus principais atos na época em que o médium já estava praticando suas caridades e ensinamentos, em sua fase mais adulta, mais experiente, que foi quando ele ficou mais conhecido por suas atitudes. O filme mostra isso de uma forma muito resumida, se limitando apenas na entrevista que foi usada como “narração” de todo o longa. É claro que essa fórmula já deu certo antes no cinema brasileiro em filmes como “Os 2 Filhos de Francisco” e do recente “Lula – O Filho do Brasil”. Mas nesses dois exemplos havia histórias interessantes a serem contadas no período da infância e adolescência dos personagens principais, o que acredito não ser o caso de Chico.
Apesar de ter um grande elenco, achei que colocaram atores conhecidos demais e com isso apenas poucos se destacaram. Em minha opinião apenas os três que interpretaram o médium: Nelson Xavier que ficou idêntico ao Chico, Ângelo Antônio que pra mim faz a melhor atuação e o bom ator mirim Matheus Costa. Nem mesmo Tony Ramos e Christiane Torloni conseguem uma apatia com o público através de seus personagens. O casal de atores parece não ter uma química capaz de convencer os espectadores. Já André Dias, que intrepreta o guia espiritual de Chico, não fez um bom trabalho. Tive a imprensão de que era um menino sem responsabilidade que falava com Chico, o que acredito não ser o que supostamente acontecia na vida real.
Por outro lado, gostei da fotografia do filme que explora bem a simplicidade das pequenas cidades mineiras, o nosso cerrado, as cachoeiras e a velha Maria Fumaça.
Como você pode notar, pra mim faltou explorar mais o que realmente Chico Xavier foi e representou não só para o espiritismo, mas para o mundo como exemplo de homem bom e caridoso. Mas de uma forma geral, Chico Xavier (O filme) merece ser visto sim. Tem suas partes cativantes e emocionantes e mesmo sem caráter religioso, serve pelo menos como cultura, como conhecimento da vida desse líder espiritual que encantou ou polemizou o mundo com seus ensinamentos.Nota 6
Por Kelson Venâncio
Ficha Técnica
Direção: Daniel Filho
Roteiro: Marcos Bernstein
Elenco: Nelson Xavier (Chico Xavier), Cássia Kiss (Iara), Letícia Sabatella (Maria), Giulia Gam (Rita), Tony Ramos (Orlando), Ângelo Antônio (Chico Xavier), Giovanna Antonelli (Cidália), Christiane Torloni (Glória), Matheus Costa (Chico Xavier) -
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