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Ceará com Pão de Queijo

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Até previ falar das belezas de Fortaleza, capital do Ceará, mas aconteceu tanta coisa na viagem que vou preferir falar primeiro de pão de queijo, ainda que as tapiocas todas que por lá comi façam salivar só pela lembrança.

Manhã ainda, fomos meu amigo e eu para a Praia do Futuro, que é uma delícia e a praia mais próxima do centro da capital em que se pode entrar na água porque as praias de Iracema e Meireles são impróprias para banho – apesar de eu ter visto muita gente dentro d’água  - , o que é uma pena pela proximidade do centro histórico e das hospedagens.

Na Praia do Futuro – belíssima, por sinal -, água do mar morna e extremamente salgada; por lá, soube que só perde para o Mar Morto em concentração de sal, o que, de certa forma, acabou por prejudicar a expansão turística por ali, uma vez que a maresia corrói as estruturas muito rapidamente. Um dia de muito sol, mar, tranquilidade e bom atendimento foi o que tivemos por lá.

No fim da tarde, antes do retorno ao hostel (quem viaja sozinho ou com amigos entende o quão mais divertido é se hospedar em um albergue), passamos pelo supermercado. Para quê? Para a incrível saga de tentar achar ingredientes para uma receita de pão de queijo. Explico.

No dia anterior, o dono do hostel , um carioca radicado em Fortaleza, recebeu-nos com pão de queijo quentinho daqueles congelados, em cortesia por nossa mineirice e tal. Aí, a linguaruda aqui disse que o caseiro é mais saboroso e que se encontrasse com o que, faria para a galera. E, como promessa é dívida, fui cobrada antes mesmo de sair pela manhã.

Lá estava eu, portanto, atrás de polvilho, ovos, leite… e queijo. Polvilho até achei de uma marca ruim toda vida, mas era o que tinha; o resto foi fácil, menos o queijo. Depois de muita procura, muita análise e quase uma desistência, eis que no fundo da prateleira de frios um pedaço de queijo minas padrão surgiu. Todo mineiro sabe que esse queijo tem muito pouco do sabor do que consumimos nas Minas Gerais, mas “quem não tem cão, caça com gato”. O negócio era cumprir a promessa feita o mais próximo do tradicional e pronto.

Enfim, sacolas em punho, lá fomos nós de volta para o Cearoca Hostel (vou fazer a propaganda gratuita em retribuição ao carinho que o dono teve conosco enquanto lá estivemos). E  fazer  uma receita de pão de queijo no Ceará foi uma aventura à parte. Primeiro porque o polvilho era fino demais e o escaldado ficou meio esquisito. Depois, aquele queijo padrão que praticamente derrete ao toque do ralador. Enfim, quando terminei de colocar as bolinhas na forma, pensei  que a coisa toda ia pro lixo. Mesmo assim, arrisquei assar. E o mais estressante era pensar que não ia sair do jeito de casa e a “desanda” da receita ia ser motivo de chacota. Comecei a entrar em pânico com a promessa feita e minha língua grande.

Mas, quarenta e cinco minutos de forno depois… para minha alegria, bonito ficou. Agora era provar e ver se tinha sabor. Provei. Não achei muita graça, obviamente, mas…  o pessoal gostou. Gostou não. Amou. Claro que de Minas ali só meu amigo e eu, que achamos que ficou “meia-boca”, mas meus pães foram aprovados por unanimidade. E no dia seguinte o restante da receita foi assado para o café e até um grego gostou do quitute.  E eu, muito feliz com a façanha, agradeci a todos com muito carinho. E, é claro, um alívio imenso perpassou por mim toda.

E, depois da paz que se fez em mim e da comilança coletiva, ainda tivemos ânimo para ir à feirinha de artesanato maravilhosa que tem todo dia no calçadão da Praia de Meireles, lugar em que rendas e castanhas-de-caju se misturam em cores e sabores com um sem-fim de quitutes e redes. Fortaleza é um lugar digno de nota e valeu cada minuto passado lá. As histórias… bem, aos poucos se vai contando. Boa viagem e bom apetite!

Christyene Alves Faleiros

Christyene Alves Faleiros é poeta, cronista, mestre de Reiki e advogada. Tem poemas publicados na antologia "Camarinhas de Poesia" e comanda o blog Prosa Verso e Encanto.

Comentários (2)

  1. Lucas Pacheco disse:

    Ah que saudade de Fortaleza.. lá é um lugar realmente sensacional… parabéns pela crônica, Cris…

  2. Desse pão de queijo eu não faria muita questão, não pela habilidade da “Boca grande”, mas dos suspeitáveis ingredientes disponíveis. Todavia, a crônica ficou saborosa. Parabéns, Christel.

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