Cineclube Cultura – agosto 2010
O cinema e o jazz andaram juntos desde o começo. A “Original Dixieland Jazz Band” (ODJB) fez uma rara apresentação num filme de 1917, intitulado “The good for nothing”, mas como era um filme mudo, não pode ser ouvida. O pianista Eubie Blake e o cantor Noble Sissle participaram de algumas experiências sonoras em curtas metragens, no início da década e, em 1926, o virtuoso guitarrista Roy Smeck demonstrou sua técnica em vários instrumentos de corda. No período entre 1925 e 1933, temos algumas das mais importantes apresentações de jazz nas telas dos cinemas, como a única performance do cornetista Bix Beiderbecke, numa versão hot de “Sweet Georgia Brown” com a Ben Bernie’s Big Band e apresentações históricas de Duke Ellington, Louis Armstrong, Boswell Sisters e Bessie Smith (no curta “St. Louis Blues,” único registro de Bessie) entre outros.
A participação de músicos de jazz no cinema foi crescendo no decorrer do tempo. O jazz ganhou espaço nas trilhas dos filmes, e alguns músicos foram convidados a criar partituras originais para filmes americanos e europeus. Trilhas sonoras, como a de Duke Ellington para o filme “Anatomia de um Crime”, Miles Davis para “Ascensor para o Cadafalso”, até filmes mais recentes como “Susie e os Baker Boys”, “Boa Noite e Boa Sorte”, “As Pontes de Madison” e “A Era do Rádio”, são exemplos de filmes que utilizam o jazz em suas trilhas sonoras.
Muitos também foram os filmes sobre o jazz ou sobre músicos de jazz, como Charlie Parker, retratado em “Bird” do diretor Clint Eastwood ou “Por Volta da Meia Noite”, baseado nas carreiras do pianista Bud Powell e do sax-tenor Lester Young. O principal personagem deste filme é interpretado por um dos grandes músicos do jazz, o saxofonista Dexter Gordon, em uma atuação inesquecível que lhe rendeu inclusive uma indicação ao Oscar, mesmo sendo sua primeira experiência como ator.
A mostra “Cinema & Jazz “ pretende ir além dos aspectos evidentes dessa relação e mostrar o convívio direto de duas artes que só poderiam ter sido criadas no século XX, já que ambas dependiam da tecnologia (projetores, fonógrafos etc.) para se desenvolverem .
Na programação, no dia 20 de agosto, haverá um show, com o quinteto de jazz, formado pelos músicos Beto Machado,Thiago Rosa, Ricardo Nocera, Alex Mororó e Marco Langoni, interpretando músicas do cinema com arranjos jazzísticos.
Dia 07- sábado
Por volta da meia noite (Round midnight, França, 1986)
Direção de Bertrand Tavernier
Com Dexter Gordon, François Cluzet, Martin Scorsese, Lonette McKee, Herbie Hancock, Bobby Hutcherson , Philippe Noiret.
Relato semi-ficcional da vida do pianista Bud Powell e do saxofonista Lester Young, fundidos na figura de um saxofonista com tendência à autodestruição e que é ajudado pelo único amigo em Paris. Homenagem do diretor Tavernier ao jazz, com desempenho surpreendente do saxofonista Dexter Gordon , que nunca foi ator. Cor, 131 min.
Dia 08 – domingo
A embriaguez do sucesso (Sweet Smell of Success, EUA, 1957)
Direção de Alexander MacKendrick
Com Burt Lancaster, Tony Curtis, Susan Harrison, Martin Milner, The Chico Hamilton Quintet.
O filme faz uma impiedosa descrição dos bastidores do jornalismo escrito, inspirada na figura do famoso jornalista Walter Winchell. Os atores Toni Curtis e Burt Lancaster vivem, respectivamente, um inescrupuloso assessor de imprensa e um temido colunista de fofocas, que se unem numa trama que envolve traição, cinismo, jogo de poder e difamação. P/b, 96 min.
Dia 14 – sábado
Begone dull care ( Canadá, 1949)
Direção de Norman McLaren, Evelyn Lambart
Uma interpretação de três peças de jazz, compostas pelo pianista Oscar Peterson e executadas por seu trio. Os elementos visuais foram pintados, desenhados e gravados diretamente sobre o celulóide por McLaren e Evelyn Lambart. Cor, 8 min.
Ascensor para o cadafalso (Ascenseur pour l’echafaud, França, 1957)
Direção de Louis Malle
Com Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Georges Poujouly, Lino Ventura.
Ascensor para o cadafalso é a primeira experiência de Louis Malle na direção de um longa-metragem de ficção e a primeira trilha sonora para o cinema composta por Miles Davis.
A história envolve a enigmática Florence Carala e seu amante Julien Tavernier, um ex-militar francês que combateu na Argélia e que trabalha para seu marido em uma empresa petrolífera. Os dois, envolvidos em um tórrido romance, planejam o assassinato de Simon Carala, marido de Florence. P/b, 88 min.
Dia 15 – domingo
Paris vive à noite ( Paris Blues, EUA, 1961)
Direção de Martin Ritt
Com Paul Newman, Joanne Woodward, Sidney Poitier, Louis Armstrong, Diahann Carroll, Niels Henning Ørsted Pedersen.
Dois músicos americanos de jazz escolheram exercer suas carreiras em Paris. Lá eles conhecem duas americanas que estão em férias. Os dois se apaixonam por elas e são correspondidos, no entanto elas exigem que eles voltem aos Estados Unidos se desejam algo mais sério. Assim eles se vêem obrigados a avaliar suas vidas e suas carreiras, para então decidirem o que fazer. P/b, 95 min.
Dia 20 – sexta-feira
Cinema & Jazz em Concerto
Show de jazz com o quinteto formado por Beto Machado, piano acústico e teclado; Thiago Rosa, violino; Ricardo Nocera, saxe e flauta; Alex Mororó , bateria; Marco Langoni, baixo acústico.
No programa, músicas de filmes com arranjos jazzísticos.
Dia 21 – sábado
Quero viver ! ( I want to live!, EUA, 1958)
Direção de Robert Wise
Com Susan Hayward, Simon Oakland, Virginia Vincent, Theodore Bikel, Gerry Mulligan, Shelly Manne, Red Mitchell, Art Farmer, Frank Rosolino, Pete Jolly, Bud Shank.
O filme é baseado em uma história verídica. Barbara Graham é uma vigarista que foi presa e acusada de um crime que não cometeu. Condenada à câmera de gás, seus advogados lutam para reverter a situação. P/b, 121 min.
Dia 22 – domingo
Música e lágrimas ( The Glenn Miller story, EUA, 1954)
Direção de Anthony Mann
Com James Stewart, June Allyson, Charles Drake, George Tobias, Henry Morgan,
Louis Armstrong, Gene Krupa, Frances Langford.
História do músico Glenn Miller, líder de uma das mais populares big bands dos anos 30 e 40. Cor, 113 min.
Para todos os filmes
Horário: 20 horas
Local: Oficina Cultural de Uberlândia – Sala Roberto Rezende
Pça. Clarimundo Carneiro, 204 – Bairro Fundinho
Entrada Franca
Cineclube Cultura é um projeto de caráter cultural, sem fins lucrativos.
Lei nº 9.696/2007 e Decreto 10.999/2007
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