O Lobisomem
Desde crianças ouvimos várias histórias sobre lobisomens. Cada uma mais diferente da outra, mas todas nos remetem a um ser que é metade homem metade lobo e que em noites de lua cheia se transforma e assusta (ou mata) as pessoas. Diz a lenda que é possível derrotá-lo somente com uma bala de prata.
A primeira notícia da refilmagem do clássico de 1941 surgiu ainda em março de 2006. A estréia estava marcada para fevereiro de 2009, mas o longa só chegou mesmo aos cinemas um ano depois. Durante esse longo período foram divulgadas notícias, fotos e cartazes que deixavam os fãs cada vez mais ansiosos criando uma grande expectativa.
Uma expectativa frustrada! O Lobisomem tem em sua primeira meia hora os momentos de glória em que os espectadores realmente ficam encantados com o que vêem na tela. Como o filme se passa na Inglaterra em épocas antigas a fotografia e o figurino são impecáveis. O tom obscuro que é dado à produção é algo fantástico. As cenas rodadas principalmente na floresta nos dão medo já que além de serem feitas no escuro ainda são cheias de neblina, cenário ideal para um lobisomem atacar suas vítimas.
E é justamente quando vimos pela primeira vez o lobisomem atacando as pessoas em meio à floresta ou no acampamento dos ciganos é que ficamos boquiabertos com os efeitos especiais, com a rapidez dos movimentos da fera que mal aparece nesse instante do filme nos deixando cada vez mais curiosos.
Mas acredito que o grande erro do filme, por incrível que pareça, é mostrar nas cenas seguintes tudo que a gente sempre teve vontade ver sobre um lobisomem, inclusive os detalhes de sua transformação. Os efeitos especiais são fantásticos nesse momento. Mas quando o personagem já está transformado o encanto acaba. É simplesmente um ator vestido e maquiado como um bicho cabeludo que mais parece o Chewbacca do Guerra nas Estrelas. Acaba totalmente o encanto e o resultado de tantos efeitos no fim vira algo bem “humano” que não convence.
Mas o pior é sem dúvida o roteiro (Não leia se não viu o filme). Várias falhas acontecem aqui em minha opinião. Vamos enumerar algumas…
O filme não nos explica em momento algum por que a lua cheia é capaz de transformar pessoas em lobisomens. E por que em muitos momentos essas pessoas não se transformam nesses monstros mesmo com a lua nessa forma, como na noite em que Lawrence Talbot tenta matar seu pai com uma espingarda. Por falar nisso porque uma bala de prata pode matar um lobisomem? Por que o pai dos irmãos Talbot queria matar toda a família? Por que bela Gwen Conliffe interpretada por Emily Blunt esconde e defende o personagem principal e até vai atrás de uma cigana na tentativa de salvá-lo se depois de toda essa “peleja” ela mesmo atira nele? E o que falar da história contada pelo velho Talbot de como tudo começou? Que criaturinha é aquela que mais parece o Gollum do Senhor dos Anéis? E aquela luta cheia de mordidas no fim do filme?
É lamentável ver como um filme tão esperado seja cheio de falhas e apesar de todos os efeitos usados não se torne convincente. E o pior é que do jeito que termina talvez tenhamos uma continuação monstruosa dessa produção.
Nota 5
FICHA TÉCNICA
Diretor: Joe Johnston
Elenco: Emily Blunt, Benicio Del Toro, Hugo Weaving, Anthony Hopkins, Geraldine Chaplin, Art Malik.
Produção: Sean Daniel, Benicio Del Toro, Scott Stuber, Rick Yorn
Roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self
Fotografia: Shelly Johnson
Trilha Sonora: Danny Elfman
Duração: 125 min.
Ano: 2009
País: EUA/ Reino Unido
Gênero: Terror
Cor: Colorido
Distribuidora: Universal Pictures Brasil
Estúdio: Universal Pictures / Stuber Productions
Classificação: 18 anos
Kelson Venâncio - Jornalista premiado, diretor de Comunicação da Câmara Municipal de Uberlândia, editor e apresentador do TVU Notícias (UFU) e diretor do site e programa de TV Cinema e Vídeo". www.cinemaevideo.com.br


























