A cuidadosa definição do acaso

para ler ao som de Há palavras que nos beijam,
na voz de Cristina Branco

Com o perdão da palavra, de onde nos conhecemos mesmo? Mas que bom que você aportou em meu mundo assim. Abrigo você aqui, com todo prazer. Mostro um pouco deste mundo meu, nativo. Eu vou esperar suas palavras como quem espera um arco-íris bonito após uma chuva com sol. Gosto mais. Gosto mais de você. Flor do dia, meu dia inteiro. Também você me trouxe luz, claridade boa de sentir. Alguma sensação estranha, mais profunda que a própria normalidade. Você sabe me explicar o que é isto? Eu me sinto bem em seu olhar, disso eu sei, sinto. Creio que isto já pode lhe dizer algo, ou a mim mesmo. Também tenho coragem. Por você. Mais carinho.

De que asteroide encantado você vem? Se eu disser que ando sentindo coisas semelhantes, você acreditaria? Você quer acabar comigo, é? Você tem celular? Pode me passar? Mandei uma mensagem agorinha. Chegou aí? Não sei a razão, o motivo, ou coisa que o valha, mas o certo é que ontem dormi com você e, para meu espanto, quando abri os olhos hoje você continuava em mim, presenteando-me com uma nova aurora. Menina, menina… eu tenho coragem. Minha quinta-feira já é um pássaro alto estimando o voo dos encontros. Elevo você em mim. Eu não vou fugir também. Penso que estas coisas não acontecem sem haja algum motivo-mor. Você deve ser o motivo-mor. Meu motivo-mor. Pelo menos é o que estes arrepios me fazem chegar em aviso de nós, de agora e em tempo. Guie-me.

Seria uma supernova agora! Também sou pacato, gosto de discrição e respeito. Chego a ser recatado, por vezes. Já admiro sua melancolia, digna das flores mais valiosas, que não vendem belezas impostoras. Você será meu presente também. Já está sendo. Dê-me a sua mão, que eu quero andar com você. Já lhe adicionei. Quando chegar, dê-me um sinal. Estou aqui corrigindo um artigo. Eu já disse que você esteve comigo durante todo o dia hoje? Já querer. Pois chegue sempre. Minha razão de viver é você. Meu maior motivo de estar vivo hoje. Quero ser feliz ao seu lado, ao lado dos nossos. Você é a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Sou seu. Eu quero viver o maior e mais bonito amor do mundo com e por você. Se existir vida após a morte, também quero viver esta outra vida ao seu lado.

Eu vou procurar você no além. Quero acordar todos os dias ao seu lado. Sentir a boniteza que senti hoje quando o sol raiou em meu quarto e eu estava com você pertinho de mim. Eu quero você para mim. Você é linda em mim, linda em tudo e já não sei viver mais sem você. Eu te nós. Eu estou com você, jogando luzes em teus cenários de vida. Eu só quero estar onde você estiver. Hoje eu te amo mais que ontem. Estou aqui limpando meu quarto, arrumando meus livros, tirando um pouco da poeira. E vez ou outra tateio as cordas imaturas de meu violão. Coisa muito, mas muito antiga mesmo, amor. E você sabe que a ficção fortifica-se nas mãos de um escritor, não sabe?

Dorme. Eu te nino. Não sei mais fazer outra coisa. Você é minha. Quero você do jeito que és. Não mude nada. Venha para mim como você é e eu lhe amarei. Estou aqui. Só me chamar. Está melhorzinha? Há mais alguma tarefa hoje para eu desempenhar em prol de nosso amor? Meu papel de parede! Você me faz renascer. Renova-me, fé que tenho aflorada agora no bem que a vida nos traz. Você, minha luz. De volta, entregue, apaixonado e maluco por você. Eu não sei o que dizer. Estou lá. Meu riacho de mel.

Sei que fomos agraciados por surpresas inquestionáveis, inscritas no rotar desse cosmos. Surpresas (coincidências) que não necessariamente nos espantam, pois delas já antevíamos, ou queríamos tanto esta condição em comum, que aqui estamos, um de fronte ao outro nesse momento de nossas vidas. Na verdade nada acontece ao total acaso, nós é que construímos nosso arcabouço nocivo ou nossa tábua para o salto na imensidão azul da vida e de seus caminhos.

Por isso, não me apresento esquivo, não se assuste, de cara tento explicar, ou não. Talvez seja algo com a astrologia e nesse caso a tendência é dar um passo à frente e nunca um passo atrás. Essa nuance, admito, a de que te conheço e te reconheço há muito tempo e mais… e depois de ter sido tão abrupto, eu me recolho pensativo e sem pensar, refletindo se eu não fui rápido demais e com muita sede ao pote. Não. Eu tenho certeza que não. O nosso tempo é agora. É você quem eu quero para mim.

Compartilhamos da vontade de amar, fonte de inspiração, calmaria no entrevero, falsa sustentação e real alicerce, ou momentânea e sempiterna sanha febril que serve de impulso para tantos saltos. Eu mirando meu ideal, onde você se apresenta mais que cenário. Você possui ares de muito amor.

Ao escrever em sua direção, surpreendo-me pensando no movimento dos astros, que te conectaram a mim por fios eletrônicos que eu por vezes sinto ojeriza. Eu aqui e você tão perto, considerando-se as possibilidades latitudinais e longitudinais da esfera terrestre, mas ao mesmo tempo tão inusitado, reconfortante e significativo…

Permita-me uma citação. Trata-se de uma passagem, escrita em uma carta por Rilke, um de meus poetas prediletos, oriunda de leituras tantas, de literaturas que se entrevivem por subjetividades desconexas:

“É impossível ter uma imagem exaustiva o suficiente da amplidão e das possibilidades da vida. Nenhum destino, nenhuma recusa, nenhuma adversidade é simplesmente sem saída; em algum lugar, o mais denso matagal pode produzir folhas, uma flor, uma fruta. E, em algum lugar, na providência mais extrema de Deus, haverá também um inseto que colherá riqueza dessa flor, ou uma fome a qual essa fruta será bem-vinda. E, se for amarga, terá sido espantosa a pelo menos um olho, ao qual será propiciado prazer e curiosidade pelas formas, cores e frutos do mato cerrado; e, se ela cair, cairá na plenitude do futuro e, em sua decomposição final, contribuirá para torná-lo mais rico, colorido e viçoso”.

Sei reconhecer algo que amo, algo pelo qual me identifico, que me causa um sentimento de várias formas assimiladas, pois as manifestações em mim são físicas e anímicas, meus impulsos sensitivos sempre me falam mais alto e não há melhor forma do que sentir através das palavras, que podem forjar construtos imagéticos de um espectro ainda informe, conduzir a irrealidade à deriva, o que pode ser mais do que real. Mas até este meu suposto pensamento já foi por você desconstruído antes de mim, que falo direto através de meu ser que é seu. Vamos viver de verdade isso? E começo por agora, por ontem, por sempre, podendo ser o mais passional possível, sem ressalvas, minha racionalidade de querer-te inteira. Eu acredito, sim, em tudo que você pensa que eu acredito.

Você é minha e nunca mais será de ninguém. Não tem mais volta. Eu não sei mais viver sem tua presença em minha vida. Não quero aprender a viver sem você. Você é o meu ponto final. É muito e sempre. Dorme, amor. Sinto o mesmo que você. E tudo o é, meu sentir. Passo o dia sentindo que a vida é chuva rápida que vem pela tarde. E você é uma nódoa. Viver é limitado sem você. Estou envolvido demais para voltar atrás, com muito amor para me dizer forte e não deixar você partir e tenho saudade em excesso para simplesmente tratar o que sinto como se fosse coisa de todo dia.

Por isso te amo. Você me consome muito e é perfeito o fogo. É preciso que eu diga: você é responsável por mim. Goze tua vida em mim de uma vez por todas. Eu queria poder evitar todas essas palavras e ter você me calando a boca e me matando de amar. Só. Mas vou ter. Eis o nosso mais valioso destino. Eu sou o teu amor de cada dia. Você sempre será um fio na trama dos meus dias. Entremeou-se, entrelaçou, coloriu. Estou com você o tempo todo. Em todos estes momentos, estou com você muito próxima a mim. Esse pensar em você.

Tenho vontade de ficar sozinho com você e escutar o teu silêncio em mim. Incrível como alguém pode estar muito mais presente que os presentes. Mas parece ser impossível não acontecer isso. O que você é se mescla ao que imagino que seja e pelo que sei te faço perfeita para compartilhar da minha vida. Estou em você e, cheio de admiração, tenho vontade de te ver calada, desprotegida, desarmada, para reverter todos estes quadros. E te sufocar com o contato da pele que é nossa, com a densidade do carinho que sinto por você. Acho que essa vontade maluca de ter você dentro da minha alma vem de um desejo de misturar as energias que se conhecem, nossas. Pude te sentir em várias vezes hoje.

É complicado sentir saudade de alguém que amamos sem economia. Quase sempre fico sem saber direito o que fazer com essa energia que extrapola. Por isso, gozo. Pedido seu é uma ordem. Amo você como uma cachoeira ama sua água. Eu estou falando sério quando digo que vou com você para tudo que é canto e em qualquer hora. Recebo você em sempres. Meu coração bate no compasso do teu. Estou feliz por ter você ao meu lado. Deus está com todos. E, felizmente, perdoa até aqueles que não se ajoelham. Espero que goste da música. Eu me sinto especial ao teu lado. Tarde é o dia e eu queria ser simples feito a linha que envolve agulhas em mãos idosas.

É o mundo que me acontece. A farda dos soldados, o sentimento materno e o segredo entre irmãos. Tudo me acontece e, de tão linda forma, em meu agora com você me excede o sentimento em arroubos de silenciosa histeria. Eu que ando sozinho acompanho eventos com a mesma certeza que me vejo ao início de nosso encontro. Queria ser simples prova de matemática e meu escudo fosse tabuada e todos me compreendessem numérico ao invés dessa matéria em que me torno a me ver homem possuidor de um tesouro: você.

O coração me acontece, com suas cordas e botões de rosas, todas as feridas duplas de minhas vastidões singulares não existem mais depois de você. Tudo me acontece labirinto e céu. Tudo é complexo e não minto ou forjo retidão. Pois todo meu caminho é ferro, mistério e oração a uma única deusa que surgiu quando eu não mais buscava crenças ou restrições. Você me acontece agora e, diante de minha criatura bélica e honrosa, permanece o mais perene sentimento que por alguém nunca me atrevi a dizer. O amor me acontece e me alimenta em doença para o bem do corpo e espero obediente o prometido retorno de tudo que sei, vai existir. Sinto o mesmo que você, sinto tudo por você, em intensidades e voltagens iguais.

Passo o dia sentindo que a vida é chuva rápida que vem pela tarde. E você é uma nódoa, teu nome é uma mancha que não quero tirar de minha pele. Viver é limitado sem você, eu já tenho consciência disso. Estou envolvido demais para voltar atrás, nem penso nisso, com muito amor para me dizer forte e deixar você ser em mim e tenho saudade em excesso para simplesmente tratar o que sinto como se fosse coisa de todo dia. E não é. É coisa de infinitos tempos. Por isso sei que te amo. Por isso me tornei solitário mesmo quando estou aos bandos, eu só tenho você agora. Você me consome muito e eu acho isso a maior lindeza que já senti, que já tive. É preciso que eu diga: você é responsável por mim. Sou responsável por você. Sim, eu estou onde você estiver. Se você deixar, eu viro a madrugada escrevendo você. Mais um dia e eu sou feliz em amor.

Eu te esperei por longos anos. Venho adotando cada uma de suas palavras e frases e períodos e analisando e lendo e relendo e pondo tudo em caixa dentro de mim que sei o que é bom e de verdade. Eu penso que essa composição que estamos a criar – estamos? – ainda vai virar um turbilhão de momentos férteis. Cá para nós, mas a gente parece a própria eternidade. Doido, eu? Pingue-pongue e os corações são acarinhados em cada sopapo de voz-alma que vem vindo. Tome nota aí: eu existo, sim – você existe? – sou de carne e osso e palavras e moro nem tão muito longe assim, apenas algumas horinhas desclassificáveis.

Tenho vontade dos lençóis também, e é lá que vamos começar tudo. Mas ao que me parece, venho morando também num coração. Tem outra não, és tu. A minha. Por favor, passe-me sua identidade por completo. É da alfândega dos sentimentos. Claro, é bom toda espécie de conhecimento. Teu pressentimento é um sentimento exato, adorável. Imito-te, pois: minha. Aliás, que tanta repetição assim de nós para nós? Será que isso tem nome? Se eu te puxo para dançar você me dá colo, se te quero colo você me puxa para dançar. Vai ver é aquele tal do A… vai ver. Vamos? Topas? Quer correr mundo comigo? Estou falando sério. Só basta tentar, querer.

Vai ver não, o certo é que estou aqui. Dê um sinal quando chegar. Preocupo-me com você. Quem é você para mim? É que eu preciso me situar no que está acontecendo. Preciso? É aquela coisa do risco. Eu te apeteço, tu me apeteces, conjugue comigo! Continue… nós nos… danou-se. Parece que é aquele negócio torto que nasce na gente quando a gente olha para o mar dos olhos de outra pessoa e vê o fundo do mar com seus cardumes. Além-mar, não é? Lembra do começo de tudo? Do fim e do recomeço de tudo? Além-mar. Aquela azulidão de permanecer. Estou no teu colo. Um beijo? Quero. Quero você. É sério. Daria tudo para estar aí, dentro de você, literalmente, amadamente, agora mesmo.

Você fala de névoa, de escuridão, eu falo de claridade, supernova, bum-bum, explosão. Não somos claridades poucas, imagino. O baque é dos grandes. Tudo que te digo é elogioso e não tenho medo. Vai na cara tua mesmo em forma de elipses, zeugmas, metáforas e eufemismos. Penso que poesia também é uma forma de amar. E já te amo, je t’aime, I love you e o escambáu. É assim que se escreve escambáu? Tem acento a palavra? Não importa, importante é que você já existe, quis dizer, no peito meu, mora, reside, a aranha de minha teia.

Você é rara e eu sou um acumulador de relíquias. Como você não há no mercado, nem nos velhos armazéns, tudo boneca de plástico, sem graça, com falas repetidas. Por isso um achado, você. Sortudo, eu. Que faço senão te chamar para correr risco comigo? É amor, amor! Não sou louco de te perder. Já que começamos essa brincadeirinha séria demais, que tal irmos até o fim para ver se no fim tem mesmo uma luz e um túnel? Estou aqui, sozinho entre alguns papéis, tentando escrever uma declaração daquele sentimento – como é mesmo o nome? Sem cafonices e aberrações. Mas não tem jeito. O acaso é repleto de clichês, como os meus. Acho que sou antigo. Aquele chamado amor. Venha ser minha sendo você.

Deteriour parvum sanctificare amor solet.

Germano Xavier

Germano Xavier

Mestre em Letras, jornalista profissional (DRT BA 3647), escritor e coordenador geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS.

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