De Volta à Acrópole – Atenas

Mesmo considerando a minha ascendência materna luso-espanhola e a minha ascendência paterna sudanesa, considero a Grécia o meu segundo país e Atenas a minha segunda cidade natal. Ao andar pelas ruas e lugares históricos atenienses, sinto-me como se estivesse andando pelos lugares nos quais dei os meus primeiros passos, em Arraias (Tocantins – Brasil). Para mim, inclusive, tem um valor especial a semelhança gráfica e fonética do nome das duas cidades. Dando continuidade ao propósito de escrever livremente sobre curiosidades da cidade de Atenas, e da Grécia em geral, hoje escreverei sobre uma visita à Acrópole. Trata-se de uma breve crônica sobre a nossa segunda visita a este maravilhoso lugar.

Acrópole - Atenas

Primeiramente, estando em Atenas, é muito fácil chegar à Acrópole. Do centro da cidade, nas imediações da Praça Syntagma (Syntagma Square / Πλατεία Συντάγματος), na qual fica a sede o Parlamento Grego, é possível ir a pé, numa caminhada que dura em torno de 20 minutos (Esse “passeio” pode ser um pouco mais demorado, devido ao grande número de “encantos” disponíveis no caminho, que podem desviar a atenção do transeunte/turista, como as construções: o Arco de Adriano e o Templo em Homenagem a Zeus Olímpio – uma curiosidade sobre este templo é que a sua construção foi iniciada no Século VI a. C., mas só foi concluída cerca de sete séculos depois, no período do Imperador Adriano [117 – 138 d. C] – durante esse longo período ele permaneceu muitas vezes inativo e sofreu vários saques e espoliações. Durante todo o período da Democracia ateniense o local permaneceu inalterado e Aristóteles [Política – V,9] o cita como exemplo de como os tiranos mantinham a população ocupada com obras monumentais a fim de que não tivesse tempo ou energia para rebeliões – sobre o templo, ver imagem anexada a este texto). De locais mais distantes, é só ir de metrô, em direção à estação “Acrópole” (Akropoli Metro Station).

Chegando à Dionysiou Aeropagitou Street, que é uma ampla rua que dá acesso tanto à Acrópole, quanto a uma série de monumentos antigos e locais interessantes, como o Museu da Acrópole, o Teatro Dionysus e, mais adiante, a Cela de Sócrates, é fácil chegar ao destino. Estando nesta rua, que é uma via ampla, de um calçamento rústico, é possível admirar um grande número de manifestações artísticas que acontecem em diversos pontos: música, dança, grupos artísticos de diferentes países e continentes. Todas essas atividades são realizadas tendo a bela vista da Acrópole, como se os deuses ainda estivessem a contemplar todas as atividades ali realizadas (e o sentimento que temos no local é de que Eles realmente estão a contemplar…).

Acrópole - Atenas

A subida à Acrópole é íngreme, mas não é longa, nem demorada. Depois de cinco minutos de caminhada, à direita de quem chega à Dionysiou Aeropagitou Street, já é possível avistar a Acrópole, agora bem próxima. É preciso adquirir o ticket no local (pode-se também adquirir de forma antecipada, tanto em outros pontos turísticos da cidade, quanto de qualquer lugar do mundo, via internet). O ingresso [individual] para ter acesso aos principais pontos turísticos de Atenas sai por € 12,00, mas é possível obter ingressos específicos para cada lugar, por um valor menor.

Uma vez na Acrópole, cujas dimensões (cerca de 300m X 130m) são próximas ao tamanho de nove campos de futebol (o que já se transformou em um padrão quase oficial de medida), é só deixar os sentidos e a imaginação entrarem em ação. Diferentemente da primeira vez que visitamos a Acrópole, em 2015, ocasião em que fazia muito calor, hoje fomos presenteados com a presença de nuvens, mas sem chuva, com uma temperatura agradável, o que permite uma visualização perfeita do ambiente.

A construção principal do local é o Partenon, templo dedicado à deusa grega Atena, construído no século V a.C., por iniciativa de Péricles, governante da cidade. Ele foi projetado pelos arquitetos Calícrates e Ictinos e decorado pelo escultor Fídias e seus alunos, é uma construção nos moldes “dóricos”, com elementos “jônicos”. Mesmo em ruínas, é uma construção maravilhosa, que encanta os sentidos e a imaginação. Quando estamos diante do Partenon, chega ao pensamento, inevitavelmente, a(s) imagem(ns) de tantos personagens históricos que ali estiveram, ao longo do tempo.

Quantos olhares contemplaram esta construção? Como era esse lugar no seu tempo áureo? São perguntas que surgem! Estou agora diante do Partenon e me pergunto: “O que significa realmente estar neste lugar?”

Outra construção maravilhosa é o Erecteion, templo consagrado à Deusa Atena e ao Deus Poseidon. Foi construído entre 421 a 406 a.C., por Mnesicles, no qual se encontram as esculturas das Cariátides (figuras femininas esculpidas, que servem de suporte, como coluna de sustentação – as esculturas que se encontram no local são réplicas das originais, que estão bem próximas daqui, no Museu da Acrópole. Elas podem ser vistas, mas não fotografadas).

No plano geral, da Acrópole é possível ter uma ampla e bela visão de toda a cidade de Atenas e dos arredores, bem como dos mares Egeu e Mediterrâneo. Do ponto de vista histórico e “imaginário” é também uma visão do “berço” da nossa Cultura.

Do ponto de vista prático, tenho recebido alguns questionamentos de amigos, que supõem alguns obstáculos a uma viagem à Grécia, como distância, muito tempo de voo, despesas, segurança internacional e local, dificuldade de comunicação, dentre outras. Sem entrar em detalhes sobre estas questões, adianto que a viagem, se programada com antecedência, pode sair mais em conta do que alguns roteiros nacionais; quanto à distância e tempo de voo, é fato que ainda não temos voos diretos do Brasil a Atenas, sendo preciso escala em Roma (Itália) ou Frankfurt (Alemanha), dentre outros e o voo mais longo, obedecendo estas escalas, pode durar de 11 a 12 horas, como é o caso de São Paulo a Roma. Quanto à segurança, embora a Grécia esteja passando por um momento econômico e social delicado (o que também se estende à Europa e várias partes do mundo), nunca vivenciamos nenhuma dificuldade e sequer vivemos algum episódio perigoso em território grego. Finalmente, no que se refere à comunicação, os gregos, principalmente aqueles que lidam com o público (turismo, hotéis, aeroportos, etc..), se comunicam muito bem na língua inglesa e, além disso, quase todos os pontos turísticos e estabelecimentos comerciais indicam o nome em grego e em língua inglesa, não sendo obrigatório, portanto, o domínio do idioma grego para visitar este país maravilhoso.

Assim, concluo este texto com uma citação de Aristóteles, na qual ele faz uma referência [crítica] ao Olimpiêion (Templo de Zeus Olímpio):

“Um dos expedientes da tirania é empobrecer os súditos, pois assim eles não poderão ter guardas, e também o povo, ocupado com o seu trabalho cotidiano, não terá lazer [ou tempo] para conspirar contra os seus governantes. Exemplos disto são as pirâmides do Egito, as oferendas votivas dos Cipsélidas, o Olimpiêion, construído pelos Pisistrátidas, e os templos de Samos, obra de Polícrates (todas estas obras produziram o mesmo efeito, ou seja, a ocupação constante e a pobreza dos súditos)”. (Aristóteles, Política, Livro V, cap. IX – 1314a).

Imagens: Paulo Irineu e Bruno Irineu (Atenas, junho/2016)

Paulo Irineu Barreto

Paulo Irineu Barreto

É escritor e Professor do IFTM. Doutor em Geografia Humana e Cultural e Mestre em Filosofia Política e Social. Pesquisa e escreve sobre Cultura, Educação, Filosofia, Geofilosofia, Geografia e Política.

1 Comentário
  1. Para quem tiver interesse, seguem alguns links para vídeos que captam o cotidiano de Atenas (Imagens: Paulo Irineu Barreto – junho/15 e junho/16):

    https://www.youtube.com/watch?v=c1rD2_Satsk – (Soldados Evzones – Praça Syntagma – Atenas/Grécia [07-06-16])

    https://www.youtube.com/watch?v=X6N-haO2SE4 – (Caminhando até a cela de Sócrates – Atenas – Grécia)

    https://www.youtube.com/watch?v=kJNR53LrVdo – (Música e emoção na Acrópole – Grécia – Atenas)

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